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Universidade Lusófona

As engenharias e a economia nacional

As Engenharias começam a dar sinais de retoma nas preferências dos estudantes

Opinião Elói J. F. Figueiredo

Elói J. F. Figueiredo

Recentemente fiz um estudo sobre a evolução das colocações e das preferências, nos últimos 20 anos, dos estudantes na 1.ª fase do concurso nacional de acesso ao ensino superior público. Numa análise global, todas as Engenharias seguem um padrão de comportamento semelhante, sendo que depois de vários anos de alguma estabilidade, observou-se um forte crescimento nas colocações de 2006 até 2008, assistindo-se depois a uma descida vertiginosa de 45% até 2014. Em particular, a Engenharia Civil foi claramente a mais afetada, com uma descida de 90%, isto é uma redução de cerca de 1500 para 150 estudantes!

Contudo, de uma forma geral, todas as Engenharias começam a dar sinais de retoma nas preferências dos estudantes, observando-se um crescimento há dois anos consecutivos, chegando mesmo a níveis semelhantes aos de 2003. Em particular, a Engenharia Civil dá sinais animadores de retoma, com crescimentos de 113% e 16%, em 2015 e 2016, respetivamente.

Numa análise socioeconómica, constata-se hoje que as pessoas estão atentas aos meios de comunicação social e fazem sentir as suas escolhas em perceções sentidas no dia-a-dia da economia nacional, mas também através de indicadores provenientes de outros países. Por exemplo, constata-se que a crise do subprime nos Estados Unidos, relacionada com o imobiliário, poderá ter tido efeitos imediatos na Engenharia Civil nacional; e a crise económica e financeira em Portugal, aberta em 2011, teve impacto na generalidade das Engenharias, especialmente nas mais tradicionais como Civil, Mecânica e Eletrotécnica. Além disso, as pessoas demonstram ter uma perceção forte de empregabilidade quando pensam em escolher cursos de Engenharia, pois verifica-se desde 2008 que o padrão de comportamento na escolha destes cursos está inversamente relacionado com a taxa de desemprego do país, isto é, a subida da taxa de desemprego reduz o número de estudantes em Engenharia. Contudo, esta perceção não é transversal e por vezes estranha, pois cursos tradicionais como Gestão e Direito passaram relativamente imunes à crise; para além disso, estando a Engenharia Civil e a Arquitetura estreitamente relacionadas, é estranho verificar que a última manteve, nos últimos anos, uma relativa estabilidade no número de estudantes.

Portanto, estando a Engenharia, de uma forma global, diretamente ligada com o sistema transformador e produtivo dos países, de que serve continuar a formar gestores e advogados quando se coloca em causa a criação do produto?