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Universidade Lusófona

O barril do turismo, o investimento público e o Douro

Recentemente no jornal Sol, Mário Ramires destacou "o barril do turismo" que temos em Portugal

Opinião Elói J. F. Figueiredo

Elói J. F. Figueiredo

Recentemente no jornal Sol, Mário Ramires destacou "o barril do turismo" que temos em Portugal, em claro simbolismo de que o turismo é um recurso precioso num país com "poucos recursos naturais e limitações geográficas, de dimensão e de periferia, que desabonam a aposta na industrialização". Concordando, aproveito para completar a ideia. Todos crescemos a desculpar algum insucesso económico com esses fatores, mas hoje temos casos de sucesso como a Nova Zelândia, Singapura e Coreia do Sul, cujas limitações foram desafiadas para além da falta dos tradicionais recursos naturais. Ainda assim, os mais sépticos centram o desenvolvimento económico desses países noutros fatores excecionais. Contudo, a visão simplificada desses fatores resulta, sim, de um processo continuo de potencialização dos mesmos levado a cabo pelo único recurso natural excecional - as pessoas.

Hoje temos a perceção de que o turismo é um "barril de petróleo" que está a desencadear desenvolvimento regional e a fortalecer a balança comercial portuguesa. De acordo com o jornal Público e o Banco de Portugal, o turismo equivale a 47% das exportações de serviços. A potencialização deste recurso não tradicional é resultado de vários anos de investimento público (comunitário) e privado direcionado. Aqui a região do Douro é um caso de sucesso nacional, onde história, produto, beleza e mística foram valorizados pelas pessoas, originando uma maior profissionalização do setor vinícola, aumento da oferta de turismo rural, e aumento do número de passageiros a navegarem nas águas do rio Douro (com um crescimento anual médio de 20%). Contudo, as principais cidades da região ainda estão algo adormecidas; ainda se observam os resultados urbanísticos infelizes do final do séc. XX e pouca oferta para turistas. Estaremos na presença de um fenómeno onde a iniciativa privada não é acompanhada pelo investimento público das autarquias?

Vejamos o Pinhão - predestinado para ser a capital mundial do vinho. A vila goza de uma localização privilegiada no centro da região, proximidade a famosas quintas produtoras de vinho, e tem uma linha de comboio direta para o Porto. Contudo, haverá fatores múltiplos que estão a dificultar o desenvolvimento no seu todo, pelo que caberá ao poder autárquico a responsabilidade de promover mecanismos de investimento, por exemplo através de planos de pormenor específicos (a Porto Vivo é um bom exemplo de sucesso) de forma a reabrir as lojas fechadas e a erguer os edifícios devolutos.