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Universidade Lusófona

Clubismo | Perspe(c)tivas

Os "doentes da bola" professam a religião clubística

Carla Rodrigues Cardoso


É certamente um problema meu. Não consigo compreender o clubismo exacerbado.

A expressão máxima regista-se no “desporto-rei”, como seria de esperar. Se uma equipa de futebol está numa competição internacional, isso apenas interessa se for a do clube do adepto em causa. Quando o clube em causa é um “rival histórico”, como Benfica, Sporting ou Porto, apenas para referir os mais emblemáticos, a situação piora. A indiferença passa não só a raiva como a votos de que o adversário doméstico perca lá fora e seja tão humilhado quanto possível.

Por outro lado, o fervor da fé depositada na equipa do coração é comparável apenas ao calor dos “mimos” com que são presenteados os adversários. É a paixão pelo emblema do clube que faz percorrer quilómetros para assistir a jogos ou enfrentar o frio da noite para vaiar o “mister” que não esteve à altura do desafio. O clubismo tem muito de religioso - desde as peregrinações aos estádios, às promessas a cumprir caso a desejada vitória se concretize.

Os clubistas mais radicais não têm qualquer interesse por jogos da Seleção Nacional - porque não são jogos dos clubes deles. A noção de que todos os clubes de um país partilham pelo menos a nacionalidade é-lhes completamente estranha. O comportamento clubístico exagerado transmite, assim, a sensação de vivência em permanente guerra. É preciso defender o clube-nação até à morte ou pelo menos até à rouquidão.

Como seria o mundo se todos nos batêssemos por dar o nosso melhor com a mesma intensidade com que os mais “doentes da bola” se batem pelos seus clubes?

Diretora da Licenciatura em Comunicação e Jornalismo
Investigadora do CICANT - ECATI
Coordenação Geral da Redação LOC