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Universidade Lusófona

Dia de Portugal!

"(...) não é possível conceber um país apenas com homens ou apenas com mulheres."

Lina Lopes


Dia de Portugal, dia de todas as Portuguesas e de todos os Portugueses. Num dia em que se celebra uma ideia de colectivo não posso deixar de recordar o desequilíbrio que persiste entre duas componentes inalienáveis deste colectivo: mulheres e homens. Digo inalienável porque seria impossível concebê-lo de outra forma. Podemos imaginar um país com um único credo religioso, ou com uma única etnia, ou com um único clube de futebol, ou com um único partido político. Podemos imaginar um país rico, sem pobres, ou um país pobre, sem ricos. Mas não é possível conceber um país apenas com homens ou apenas com mulheres.

Acresce que, além de constituírem mais de metade da população, as mulheres representam metade da força de trabalho e são a maioria da população com formação superior. Ora numa democracia, com uma Constituição e com leis que contemplam a promoção da igualdade de oportunidades entre homens e mulheres, seria de esperar maior homogeneidade nas condições de trabalho oferecidas a homens e a mulheres. Infelizmente não é assim!

No primeiro trimestre deste ano, a diferença salarial das mulheres relativamente ao salário médio mensal foi de -12,8%. Mas se compararmos o salário mensal das mulheres com o dos homens, a diferença ainda é mais desfavorável para as mulheres, - 21,1%. Por outro lado, a quantidade de mulheres que recebe salário mínimo continua a ser muito elevada, (ascende a 32,0%), e muito superior à dos homens (apenas 19,7%). Estas disparidades no mundo laboral, a que acrescem outras em diversas áreas da sociedade, são alimentadas pela resistência à mudança, pela persistência de atavismos culturais e pelo abuso de posição privilegiada. E representam obstáculos sérios não só à igualdade de género, mas também à justiça social e à liberdade, sobretudo das mulheres, num país que se pretende coeso, democrático e livre.

Por isso, ao celebrarmos o dia de todos os portugueses, o dia de Portugal, não esqueçamos que, em cada momento histórico, uma nação não é apenas uma ideia. É um colectivo de pessoas concretas, reais, vivas, constituído por homens e por mulheres.

*Dados do Quadro de Pessoal e Boletim Estatístico - GEP, MTSS

Lina Lopes
Docente da Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias