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Universidade Lusófona

Doutoramentos nos politécnicos?

Crónica por Elói J. F. Figueiredo, diretor da licenciatura em Engª Civil

Opinião Elói J. F. Figueiredo

Elói J. F. Figueiredo


Primeiro foi o ministro Manuel Heitor a "abrir a porta" à discussão sobre a hipótese de os institutos politécnicos atribuírem doutoramentos com uma componente profissional. Em reação, Alberto Amaral, presidente da agência de creditação do ensino superior, concorda que os mesmos possam atribuir doutoramentos, de caráter profissional, em ligação com as empresas, desde que tenham capacidade para o fazer e haja uma avaliação exigente. Contudo, tal medida enfrenta oposição do Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas, defendendo que essa solução criará uma maior confusão entre as missões dos dois subsistemas, prejudicial para o ensino superior. Da parte dos politécnicos há quem defenda que "é tempo de as instituições valerem pelo que fazem". Por fim, o ministro "fecha a porta", talvez, reforçando que o caminho para o ensino superior é uma maior diferenciação entre as missões dos ensinos universitário e politécnico.

Numa era em que o quadro docente dos politécnicos é, progressivamente, composto por doutores formados no subsistema universitário e em que as instituições de investigação nos politécnicos são cada vez mais competitivas, penso que os "doutoramentos profissionalizantes" poderão chegar a Portugal. Na Alemanha esta discussão levou à adopção de um modelo, em algumas escolas técnicas superiores, de atribuição de doutoramentos sob condições restritivas em cooperação com universidades.

No entanto, uma decisão definitiva sobre este assunto requer uma reflexão sobre alguns pontos: será que os "doutoramentos profissionalizantes" serão reconhecidos a nível internacional como equivalentes aos "doutoramentos universitários"?; será que, a possibilidade de os politécnicos atribuírem doutoramentos, não irá ajudar a confundir ainda mais os dois subsistemas?; será que precisamos de um sistema de ensino superior binário formado por politécnicos e universidades?; terá Portugal uma economia capaz de absorver mais doutorados ou alunos de ensino superior com uma vertente apenas universitária?

Penso que deverá haver um enorme cuidado na gestão das expectativas de todos os intervenientes, nunca descorando o melhor para Portugal. Na atual conjuntura económica, o Governo deverá centrar esforços na ligação dos politécnicos com as empresas e com as universidades, fomentando a criação de um modelo de cooperação universidade-politécnico-empresa.

De que vale ter uma estrutura de ensino superior preparada para abranger tudo, quando no final o tudo poderá significar nada?