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Universidade Lusófona

Educação ou Instrução?

A educação, conjuntamente à saúde, as transformações maiores do Portugal de Abril.

Jorge Proença


Na semana de mais um aniversário do 25 de Abril, celebramos a liberdade, o seu significado e todas as suas implicações. A primeira e fundamental respeita à educação, a educação integral da pessoa - global, por definição - e não apenas a instrução - sempre parcial. A educação, conjuntamente à saúde, as transformações maiores do Portugal de Abril, tão essenciais que sem elas apenas a liberdade formal - que não efetiva - sobrevive. A educação agora discutida, estudada e decidida em liberdade e, por isso mesmo, geradora de tensões e antagonismos conceptuais e políticos.

Já em 1975, a publicação da UNESCO "a Educação do Futuro" refere que " A educação é uma empresa tão vasta, determina tão radicalmente o destino dos homens, que não basta considerá-la em termos de estruturas, de meios logísticos, de processos. É a sua própria substância, em relação essencial com o homem, a sua evolução, o princípio da interligação que reina entre o ato educativo e o meio, que tornam a educação, ao mesmo tempo, um produto e um fator da sociedade".

Se atendermos à revolução comunicacional, à globalização e todas as suas consequências desde os anos 90, por um lado, e à generalização e alargamento do ensino obrigatório, por outro lado, tomaremos consciência do significado, dificuldade e complexidade da educação na atualidade.

Enorme complexidade desafiando a Escola e os professores, todo o sistema educativo, os decisores políticos que o integram e vão moldando. E, obviamente, a comunicação social, em especial a TV. Complexidade não redutível à elaboração e publicitação de rankings, contribuinte à mais dramática das confusões: equivalência entre instrução (aquisição e domínio de conhecimentos e técnicas específicos a um determinado desempenho) e educação. Educação como processo contínuo de aprendizagem e aperfeiçoamento de mim e do outro -que também sou -, de convívio com tensões e dificuldades e a alegria e felicidade da sua superação, de competitividade e cooperação, de respeito pelo ambiente e tudo o que é público.

Educação que, sendo global, tem no sistema educativo o seu instrumento privilegiado, devendo revalorizar a Educação Artística ( quase inexistente) e a Educação Física.

Infelizmente, ainda é preciso lembrar que os gastos - pessoais ou estatais, privados ou públicos - em educação representam, mesmo numa perspetiva meramente economicista, o melhor investimento. Ganhos significativos no orçamento de estado e das famílias e melhor qualidade de vida - saúde, segurança e criminalidade, por exemplo - poderão obter-se com mais investimento em educação.

Mas, fundamentalmente, hoje a educação é, mais que no passado, condição da existência da liberdade autêntica.

Diretor da Faculdade de Educação Física e Desporto
Universidade Lusófona