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Universidade Lusófona

Os filhos de 30 anos de Erasmus

O Programa Erasmus comemora este ano o seu 30.º aniversário

Opinião Elói J. F. Figueiredo

Elói J. F. Figueiredo

O Programa Erasmus comemora este ano o seu 30.º aniversário. No relatório publicado em janeiro pela Comissão Europeia observa-se que o programa atual abrange 33 países (os 28 Estados Membros, Turquia, Macedónia, Noruega, Islândia e Liechtenstein). Em 2015 o programa permitiu a 678.000 europeus estudar, trabalhar e voluntariar o seu tempo no estrangeiro. França, Alemanha e Espanha foram os países que mais participantes enviaram. Espanha, Alemanha e Reino Unido foram os que mais receberam; aqui Portugal foi sétimo, recebendo cerca de 11.500 estudantes só do ensino superior. Um estudo divulgado mostra que 80% dos participantes sentem que a experiência impulsionou a carreira profissional; um em cada três ficou na empresa estrangeira de estágio. Desde 1987, mais de 200 mil portugueses já beneficiaram deste programa.

O Programa Erasmus é hoje uma das ferramentas integradoras de maior sucesso da União Europeia (UE), especialmente para as novas gerações. Muito tem contribuído para moldar a Europa e fortalecer uma política económica, social e cultural comum, onde prevalecem valores de liberdade, igualdade e justiça. A mobilidade abre os horizontes, permite partilha de conhecimento e forma cidadãos mais ativos. Se dividirmos a população em três classes (filhos, pais e avós), parece-me claro que os filhos nascidos num espaço sem fronteiras, apesar de reconhecerem insuficiências, veem na UE uma oportunidade; a análise dos resultados do Brexit mostra que a população mais jovem votou claramente na permanência (73%, entre 18 e 24 anos). Já os pais e avós criadores olham para uma Europa envelhecida com alguma desconfiança. Contudo, esta é uma situação reversível, já que a desconfiança é essencialmente económica e, portanto, ultrapassável a curto prazo caso sejam implementadas políticas que favoreçam todos os Estados.

Ao longo de décadas, a UE e os Estados Unidos cresceram juntos e consolidaram valores civilizacionais comuns. Numa altura em que o presidente Donald Trump coloca em risco estes valores, cabe à UE em bloco impor-se na preservação dos mesmos. Neste âmbito, o fortalecimento do Programa Erasmus é fundamental para continuar a abrir horizontes e criar oportunidades para as novas gerações decidirem o seu próprio futuro. Enquanto estudante tive oportunidade de beneficiar deste tipo de programa; hoje recomendo. Numa altura em que os “filhos” começam a ocupar os cargos políticos, dentro da UE, é caso para dizer: haja mais 30 anos de Erasmus para os nossos “netos”!