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Universidade Lusófona

Lição secular sobre sustentabilidade

Crónica por Elói J. F. Figueiredo, diretor da licenciatura em Engª Civil

Opinião Elói J. F. Figueiredo

Elói J. F. Figueiredo

A ONU definiu em 2015 "A Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável" com 17 objetivos e uma ideia central de proteger o planeta por meio da gestão sustentável dos seus recursos naturais e por medidas de combate às alterações climáticas, para que o mesmo possa suportar as necessidades das gerações presentes e futuras. Durante a última reunião do G20 em Hangzhou, Barack Obama e Xi Jinping anunciaram a ratificação do Acordo de Paris de 2015 pelos seus países para conter as alterações climáticas; desta forma, 26 países já ratificaram o acordo, onde os EUA e a China representam, respetivamente, 18 e 20% das emissões globais de dióxido de carbono. Entretanto, boas notícias vão chegando de países mais pequenos ¿ a Costa Rica está a funcionar há dezenas de dias só com energia 100% renovável, o que constitui um bom exemplo na preservação dos recursos naturais e na luta contra as alterações climáticas.

À luz destas movimentações é bom recordar que a História é uma biblioteca rica de lições que ultrapassam gerações. Recentemente visitei uma das ilhas habitadas mais remotas do planeta - Ilha da Páscoa, cuja ascensão e declínio é em si uma lição para a humanidade. Acredita-se que as exigências da população (no século XVI rondava as 20000 pessoas), na construção dos moais, consumiram toda a floresta. Sem árvores deixou de haver canoas para pescar, com a erosão do solo as colheitas falharam, moais tombaram, uma população faminta lutou pela sobrevivência e toda a cultura ruiu. Quando em 1722 chegaram os primeiros europeus à ilha, restavam cerca de 2000 habitantes, que pouco conseguiram explicar, deixando vários mitos no ar. Seguiu o declínio até cerca de 100 habitantes no século XIX. Felizmente hoje o isolamento é menor e a ilha tenta recompor-se, erguendo-se imagens dos seus antepassados.

O facto latente na Ilha da Páscoa é que a História importa. Hoje não temos uma ilha remota, mas temos um planeta possivelmente isolado no universo, uma população a rondar os sete biliões e uma exigência de recursos naturais que ameaça a sustentabilidade do meio ambiente. Existe hoje um corpo de evidência científica que suporta a nossa reação, para evitarmos que a História se repita e que toda a sociedade se desmorone. Como Al Gore disse em 2007, por ocasião do anúncio do seu Prémio Nobel da Paz ¿ ¿se queres ir rápido vai sozinho; se queres ir longe vai junto; mas neste caso, nós temos de ir juntos rapidamente¿. A ilha teve uma segunda oportunidade, o planeta talvez não a tenha.