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Universidade Lusófona

Mais CPLP na investigação científica

Maior cooperação na investigação científica entre países da CPLP

Opinião Elói J. F. Figueiredo

Elói J. F. Figueiredo

O primeiro-ministro António Costa foi à XI cimeira da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), em Brasília, com o ¿sonho¿ da livre circulação na CPLP. É um objetivo ambicioso e difícil, todos sabemos, até porque a abertura deste espaço interfere com os países do espaço Schengen. Mas, por agora, na sua intervenção apenas se referiu ao reconhecimento dos diplomas académicos, à autorização de residência e à portabilidade dos direitos sociais. Todos sabemos que grandes projetos são implementados por fases. Apesar do proposto não coincidir com o ¿objetivo final¿, a grande virtude, neste momento, consiste na mensagem que poderá ter sido enviada a todos os Chefes de Estado ou Governo sobre a vontade de Portugal em construir, progressivamente, uma cidadania dentro da CPLP.

Contudo, uma área de cooperação que, a meu ver, tem sido pouco explorada desde a criação da CPLP em 1996, é a da investigação cientifica entre universidades dos estados-membros. Portugal foi um país que investiu imenso nesta área na última década, por intermédio da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), tendo ajudado a posicionar diversas instituições públicas e privadas do ensino superior português nos rankings internacionais. Por exemplo, a qualidade das instituições de Engenharia Civil foi evidenciada pelas posições no ranking de Xangai de 2016, onde Portugal obteve duas posições entre as primeiras 100, enquanto Espanha não aparece representada..

Uma vez que a CPLP não tem atualmente um gabinete próprio para gerir este tipo de processos, de forma temporária, a FCT, juntamente com a sua homóloga brasileira Capes, poderiam ficar responsáveis por criar, gerir e dinamizar programas de investigação entre universidades dos estados-membros. Note-se que estes organismos já têm experiência na aprovação de projetos conjuntos de investigação. O financiamento dos programas deveria ficar a cargo de todos os estados-membros com, por exemplo, níveis de responsabilidade proporcionais ao PIB de cada país. .

Os ganhos serão certamente imensos para todos. Para os países mais desenvolvidos, seria uma oportunidade para diversificar parceiros e rentabilizar a capacidade instalada nas instituições. Para os países com índices de desenvolvimento inferior, seria uma oportunidade para mobilizar estudantes, professores e criar massa crítica dentro das universidades locais. No caso de Portugal, poderia ainda ser uma oportunidade para mobilizar outras instituições europeias em projetos de investigação na CPLP. .