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Universidade Lusófona

Oportunidades na Sérvia para a Engenharia Civil Portuguesa

A Sérvia precisa a curto e médio prazo de construir um número significativo de infraestruturas

Opinião Elói J. F. Figueiredo

Elói J. F. Figueiredo


Recentemente tive oportunidade de participar numa conferência em Lisboa dedicada à situação económica e política na Sérvia, em que permitiu identificar algumas oportunidades para a Engenharia Civil portuguesa a curto e médio prazo. A Sérvia, país europeu localizado na região dos Balcãs, é muito semelhante a Portugal em termos de número de população e área territorial. Em 2009 apresentou, oficialmente, a sua candidatura para integrar a União Europeia (UE).

Do ponto de vista político e económico, foi possível constatar que o governo sérvio tem introduzido muitos incentivos para atrair investidores externos, bem como para criar um ambiente propício e aberto na região dos Balcãs para novas oportunidades de negócios. A estabilidade política e as reformas económicas verificadas são reveladoras de pré-condições para atrair investimento estrangeiro. O plano da Sérvia para se tornar parte do bloco político da UE está num bom caminho e à frente da Albânia, Macedónia, Montenegro e Turquia. O orçamento de estado está a equilibrar-se, tendo no último ano apresentado um défice orçamental de, aproximadamente, 4% e uma dívida pública de cerca de 70% do PIB (a portuguesa é superior a 130%!).

Do ponto de vista da Engenharia Civil, verifica-se que a Sérvia precisa a curto e médio prazo de construir um número significativo de infraestruturas, tais como o Corredor Pan-Europeu 10 que pretende criar um sistema de transporte da Sérvia compatível com o da UE, a linha de caminho de ferro de Belgrado para Budapeste e a linha de Metro em Belgrado. Além disso, o governo sérvio já iniciou a construção, em conjunto com investidores dos Emirados Árabes Unidos, de um enorme projeto de desenvolvimento imobiliário e urbanístico (condomínios, hotéis, escritórios, comércio, parques e uma torre projetada pela SOM de Chicago) na marginal do rio Sava em Belgrado. A longo prazo serão investidos mais de 3 mil milhões de Euros, o que o torna num dos maiores projetos nos dias de hoje nos países dos Balcãs Ocidentais.

Assim, após terem sido já abertos dois capítulos do processo de adesão da Sérvia à UE, há hoje expectativas de que em 2020 a Sérvia possa, formalmente, ser considerada membro da UE. Desta forma, espera-se que as atuais construções em desenvolvimento, bem como as que irão surgir, possam alavancar a indústria da construção, tal como toda a economia do país, num contexto de mercado livre possibilitado pela UE. É assim, pois, uma janela de oportunidade para a Engenharia Civil portuguesa.