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Universidade Lusófona

Amor | Perspe(c)tivas

Quem for perfeito que atire a primeira pedra.

Carla Rodrigues Cardoso


Leonard Cohen morreu a 7 de novembro e o mundo prestou as mais variadas homenagens ao cantor, escritor, poeta e compositor canadiano. No livro Leonard Cohen on Leonard Cohen há uma frase deste criador que também surgiu numa das múltiplas peças televisivas que se seguiram ao seu desaparecimento. "I think to love you have to overlook everything", diz Cohen. E acrescenta logo a seguir: "You have to forget most things".

Eis um lado do amor muito pouco explorado que o poeta coloca, assim, de uma forma muito clara. Numa interpretação livre, diz-nos Leonard Cohen que para amarmos temos de ignorar, fingir que não vemos, esquecer a maior parte das coisas, saber perdoar. Ao amor, seja entre familiares, amigos, namorados ou casais, colocam-se exigências. Muitas exigências. Que o outro nos compreenda, nos oiça, nos acompanhe, que adivinhe os nossos desejos. Afinal, não nos ama? Cada vez que as expetativas são goradas (o que acontece especialmente no campo da adivinhação), surgem dúvidas. Ama mesmo, não ama? Se amasse, agiria assim?

Nesta vertigem do "não fazes o que eu espero que faças agora" esquecemos que isso de "relação" significa sempre conviver com uma pessoa diferente, imperfeita, humana. Assim, quando exigimos apenas qualidades, a frustração é garantida. E se nos focarmos repetidamente nos aspetos negativos, não há amor que resista. Talvez por isso se diga que "o amor é cego", ou pelo menos tem de fingir que o é, como diz Cohen.

Diretora da Licenciatura em Comunicação e Jornalismo
Investigadora do CICANT - ECATI
Coordenação Geral da Redação LOC