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Universidade Lusófona

Comodismo | Perspe(c)tivas

É hoje, mas posso ver amanhã.

Carla Rodrigues Cardoso


Já se tornou uma rotina, um hábito. Quem tem o equipamento adequado pode ver mais tarde os programas de televisão a que não conseguiu assistir atempadamente. Pode também parar a qualquer momento a emissão, ir tomar um café, e retomá-la quando lhe apetecer.

Esta tecnologia já com uns largos anos deu nova interpretação à palavra "horário". Na verdade, desfez o conceito. Que interessa se a nossa série preferida começa daqui a cinco minutos? Podemos vê-la mais tarde, amanhã ou num prazo máximo de sete dias sem qualquer esforço. Não há sequer necessidade de programar o vídeo ou o DVD, como "antigamente".

Ganhou-se comodismo, certamente. E o que se perdeu? Desejo. Desejo de estar àquela hora em frente ao televisor para assistir a algo irrepetível. Agora, tanto faz. E visionar mais tarde traz a vantagem de se poder passar por cima da publicidade a toda a velocidade.

No meio de tanta facilidade, onde fica o suspiro de satisfação porque se conseguiu estar na hora certa a fazer exatamente o que se queria? E quantas vezes o que se deixa para ver depois, fica por ver? Sim, ganhou-se comodismo. Mas perdeu-se a magia de viver o aqui, agora ou nunca.

Diretora da Licenciatura em Comunicação e Jornalismo
Investigadora do CICANT - ECATI
Coordenação Geral da Redação LOC