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Universidade Lusófona

Distância | Perspe(c)tivas

Um click mais perto, um toque mais longe.

Carla Rodrigues Cardoso


Alguém já reparou que as pessoas estão a desaparecer do dia-a- dia? Vamos às compras online, sem comerciantes simpáticos e antipáticos de permeio. Nas compras, podemos optar por sermos caixas, passando alegremente os produtos sozinhos e pagando no final. Ir ao banco? Para quê? O homebanking é mais prático e rápido, fica à distância de um click. E, assim, ("é o progresso, meus senhores!"), quase sem darmos por isso, o contacto humano reduz-se de forma drástica.

Até sair com os amigos é dispensável. Sabemos tudo o que estão a fazer ao momento. Seja através de incontáveis SMS ou posts nas múltiplas redes sociais - texto, imagem, som, vídeo, é só escolher! Vantagens, vantagens e mais vantagens. E o trabalho também pode ser feito à distância, claro. Afinal, as pessoas são complicadas. Não ter de lidar com má-criação e olhares de desprezo, só para dar dois exemplos, é uma bênção!

E o toque? Acompanhado do som daquela voz que tão bem conhecemos a sair de uns lábios em movimento sem écrans nem interferências? A alegria de estarmos juntos, o calor de um abraço? O olhar apaixonado refletido nos olhos do outro? Tudo se tornou secundário.

Resta saber o que perdemos em empatia, em capacidade de compreendermos a complexidade de quem partilha connosco o planeta. O que nos retira de humano, afinal, tanta distância?

Diretora da Licenciatura em Comunicação e Jornalismo
Investigadora do CICANT - ECATI
Coordenação Geral da Redação LOC