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Universidade Lusófona

Inominável | Perspe(c)tivas

Há um momento da vida em que somos todos iguais.

Carla Rodrigues Cardoso


Na grande cidade lida-se tão mal com a morte... É quase o inominável. Morrer em casa está fora de questão - quanto mais longe e de forma mais assética, melhor. No funeral, as empresas asseguram a maquilhagem que dá um "ar de tranquilidade" ao cadáver do ente querido e que permite afirmar que "morreu em paz". Mostrar a dor também faz parte do passado e cada vez se veem mais funerais silenciosos.

Faz pouco ou nenhum sentido esta má relação de grande parte das sociedades modernas com o fim do ser humano. Será uma tentativa de negar a inevitabilidade? E é perversa. Especialmente porque este facto da vida faz parte do destino de cada pessoa. Ou seja, de todos os "comuns mortais" - e cá está essa mesma constatação nas entrelinhas linguísticas.

Uma maior consciência da morte dar-nos-ia uma perceção mais clara da proximidade entre homens e mulheres, sejam novos ou velhos, saudáveis ou doentes, loiros ou morenos, de esquerda ou de direita, hétero ou homossexuais. É verdade que o percurso até lá pode ser muito diferente. Mas quando a morte chega, nesse momento final, somos todos, mas mesmo todos, iguais.

Diretora da Licenciatura em Comunicação e Jornalismo
Investigadora do CICANT - ECATI
Coordenação Geral da Redação LOC