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Universidade Lusófona

Jornalismo | Perspe(c)tivas

E se um repórter lhe quiser colocar uma questão sem câmara, isso é...?

Carla Rodrigues Cardoso


Contou-me a Anna Escobar, uma das alunas de Comunicação e Jornalismo que trabalha na redação do Notícias Lusófona, que ao querer aceder a um local de reportagem, explicando ao que ia, retorquiram "Não tem câmara, como é que é jornalista?". Eis um dos principais problemas associados a esta profissão: a redução do jornalismo ao jornalismo televisivo.

É evidente que o pivot sorridente e familiar que nos entra em casa com as notícias de manhã, à hora do almoço e do jantar é a face mais visível do jornalismo. Ou o repórter em direto de microfone na mão e cabelo ao vento. O problema é pensar que esta atividade começa e acaba aqui. Para começar, por trás de quem apresenta espaços informativos há muito trabalho prévio e uma larga equipa.

Mas deixando o universo televisivo, talvez convenha lembra que o jornalismo é anterior à invenção tanto da caixa mágica como da rádio. A palavra escrita foi e é central. Nenhum suporte jornalístico - imprensa, rádio, televisão, digital - passa sem texto. Algo que às vezes até os alunos que querem ser jornalistas esquecem. Outra constante é a investigação. Bom jornalismo passa por fazer perguntas, ser curioso, persistente, interessar-se pelo mundo e pelas pessoas, querer saber mais, para poder explicar melhor o que importa dar a conhecer. Caso contrário, todos repetem o mesmo - a informação que chega via agências de notícias a todas as redações.

Dando resposta à pergunta colocada à Anna, mesmo sem câmara e até sem gravador, para fazer jornalismo bastam olhos, ouvidos, um bloco e uma caneta. Depois é ir, averiguar, sentir e viver para poder contar a quem não teve essa oportunidade o que aconteceu.

Diretora da Licenciatura em Comunicação e Jornalismo
Investigadora do CICANT - ECATI
Coordenação Geral da Redação LOC