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Universidade Lusófona

Milimetricamente por Carla Rodrigues Cardoso

Perspe(c)tivas: Quando foi a última vez que pensou que podia mudar o mundo?

Carla Rodrigues Cardoso


Há uns meses, numa reportagem na TSF, ouvi esta frase na boca de alguém: "eles estão a gostar... São novos, ainda pensam que podem mudar o mundo!". De vez em quando regresso a esta exclamação que continua a incomodar-me. Novos, como? Enquanto estudam, até começarem a trabalhar? A entrada no mundo laboral assinala o fim das expetativas de fazer diferente e fazer melhor?

Se pensar a mudança for exclusivo de quem é novo, nunca alguma coisa mudará. Os cargos de poder chegam mais tarde, por norma lá para os 30, 40. Aos 20 contam-se pelos dedos as pessoas com influência no mundo. Quem é adulto, tenha a idade que tiver, já foi novo. Já pensou que podia mudar o mundo. Então, porque parou de pensar nisso? Não podemos demitir-nos dos nossos sonhos, da vontade de alterar o que está mal feito, o que é incorreto.

Não fazer nada é, provavelmente, o mais simples. Mas é uma opção. Existem mudanças de todas as dimensões. Conseguir alterar algo pequenino ao nosso alcance - pode parecer pouco. Esse quase nada, contudo, vai fazer mexer o mundo, nem que seja milimetricamente. Altera-o. E se for para melhor valerá sempre a pena. Diz-se que a esperança é a última a morrer. No momento em que deixarmos de ter esperança na nossa força para mudar o mundo, estaremos como?

Diretora da Licenciatura em Comunicação e Jornalismo
Investigadora do CICANT - ECATI
Coordenação Geral da Redação LOC