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Universidade Lusófona

Terror | Perspe(c)tivas

Contra o medo, a felicidade.

Carla Rodrigues Cardoso


Estamos em guerra. Só hoje, com os atentados de Bruxelas, me convenci disso. Talvez porque assisti em direto às imagens minutos após as explosões que vitimaram dezenas de pessoas. Vivemos em guerra contra um inimigo sem rosto e é por isso que lhe chamamos guerra do Terror. É a guerra do medo. Medo do outro, do desconhecido, do próximo ser humano que inicie um ataque terrorista um passo ao lado do nosso ou daqueles que nos são queridos.

Por trás desta guerra há uma vontade doentia de esmagar o que tomamos por adquirido, conquistado com sangue também, e resumido nos ideais da Revolução Francesa: liberdade, igualdade, fraternidade. É a primeira que começa logo por ser posta em causa. "A bem da segurança, não me importo de prescindir de alguma da minha liberdade", dizia um analista político hoje. Pois, sim, claro. E quem vai traçar a linha entre o que se pode ou não se pode fazer livremente?

Quanto à igualdade, olhar o outro como igual quando as diferenças étnicas, religiosas e culturais criam receio torna-se uma tarefa difícil. E no que diz respeito à fraternidade, amar e querer bem o próximo implica não o temer.

O que significa que tudo se reduz ao mesmo: medo. Olhar por cima do ombro e desconfiar da nossa sombra. É o que nos resta? Se assim for, já perdemos esta guerra. E se nos focarmos na consciência do privilégio de se ser livre? Ter liberdade para rir, vestir o que apetecer, dar um grito no meio da rua, argumentar, discordar, abrir a janela e olhar o céu. Banalidades? Podemos pensar que sim. Mas para muitos, não passam de desejos profundos que acalentam uma vida inteira sem os conseguir concretizar. Temos a obrigação de sermos felizes e fazermos quem nos rodeia felizes. Porque quem é feliz não aterroriza.

Diretora da Licenciatura em Comunicação e Jornalismo
Investigadora do CICANT - ECATI
Coordenação Geral da Redação LOC