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Universidade Lusófona

Tic-tac | Perspe(c)tivas

É psicológico...

Carla Rodrigues Cardoso


Nunca temos tempo. Mas nunca, mesmo! Planeamos, preparamos (perdemos tanto tempo a planificar!) e depois tudo se complica e sai ao contrário. O relógio, claro está, continua a sua marcha compassada, indiferente à nossa azáfama. Há lá coisa mais monótona e sem graça que um tic-tac de relógico? Tic-tac, tic-tac, assim, imperturbável, sempre igual, implacável, o oposto do turbilhão que dá pelo nome de vida.

Mais tarde ou mais cedo, ganha-se consciência de que existem vários relógios e apreende-se o significado prático daquela velha máxima, dita muitas vezes em tom de piada, "o tempo é psicológico".

Acontece sempre da pior maneira. Quando o inesperado, leia-se, a doença ataca. Subitamente, os compromissos inadiáveis são desmarcados. E damos por nós à espera, como se fôssemos donos de todo o tempo do mundo. Primeiro da triagem. Depois da consulta. A seguir, dos exames. E, finalmente, do diagnóstico e da receita para aviar a medicação. Entretanto, as horas, e com elas os preciosos minutos e os fugidios segundos, voaram. E continuam a avançar, enquanto passamos pela farmácia, regressamos a casa, nos acomodamos ou acomodamos quem está doente, providenciamos os passos a dar antes de conseguirmos voltar ao "normal".

Quando a tempestade passa, damos por nós a olhar para trás com espanto e a interrogarmo-nos, atónitos: onde fomos buscar tanto tempo? Parece mesmo impossível...

Diretora da Licenciatura em Comunicação e Jornalismo
Investigadora do CICANT - ECATI
Coordenação Geral da Redação LOC