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Universidade Lusófona

Superproteção | Perspe(c)tivas

Amar é ensinar a voar, por Carla Rodrigues Cardoso

Carla Rodrigues Cardoso


Bons pais querem o melhor para os filhos. Fazem tudo por eles. Protegem-nos. Procuram evitar que sofram. E na ânsia do amor que sentem, cortam-lhes muitas vezes as asas, sem darem por isso. Superproteção pode traduzir-se mais tarde em comodismo, medo, arrogância e indiferença.

Se nos abrem o caminho e lhe retiram as pedras, como vamos sentir a necessidade de construir um? Se nos lembram todos os dias dos perigos que a vida encerra a cada esquina, como fugir do medo permanente? Se nos elogiam porque sim e porque não, com e sem razão, o mais difícil será pensar que não somos seres superiores. E se nos ocultam o que é negativo, se à nossa volta a desgraça e a dor são mantidas à distância e o dia-a-dia parece deslizar sem problemas, como escapar à indiferença?

Para saber resistir, é preciso enfrentar obstáculos. Descobrir como ultrapassar dificuldades, implica que estas existam. Quando os filhos torcem o nariz e perguntam "porque não fazes tu?". A resposta é simples: porque queremos que aprendam a fazer. Quando se ama, o que mais custa não é perceber a necessidade vital de empurrar para fora do ninho e obrigar a voar. É ter a coragem de engolir os nossos medos e empurrar mesmo.

Diretora da Licenciatura em Comunicação e Jornalismo
Investigadora do CICANT - ECATI
Coordenação Geral da Redação LOC