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Universidade Lusófona

Turismo: eles vêm aí em massa!

"(...) o turismo em Portugal se tornou uma das atividades mais importantes para a economia nacional"

Opinião Mafalda Pauleia

Mafalda Pauleia


Iniciar a escrita de um artigo sobre Turismo é, actualmente, como dizer?, estimulante!

Isto porque o turismo em Portugal se tornou uma das atividades mais importantes para a economia nacional e, claro, sustentável se nos prepararmos devidamente para o seu crescimento.

Não estamos apenas perante uma tendência conjuntural, onde a "Primavera Árabe" insiste em deixar a sua marca através dos milhões de turistas que desvia diariamente das suas rotas, pelas razões que todos conhecemos. Não! Na verdade, estamos perante uma atividade que exerce um peso extraordinário no sector das exportações (bens e serviços) num valor que ronda actualmente os 17% (INE, 2017). Assim, e se pensarmos na previsão de turistas que nos visitarão nos próximos anos, perceberemos que o amadorismo que permanece em muitos decisores não responde ao "mind set" turístico. Sabemos que não foram só os alemães e os franceses que alteraram as suas férias, contribuindo para os milhões de turistas que nos visitam. O crescimento de mercados externos como o Brasil, China e Estados Unidos da América devem-nos fazer pensar na forma como nos devemos preparar para receber este aumento. Porque não devemos ter dúvidas: eles vêm aí em massa!

Importa não esquecer a responsabilidade que temos nas mãos e o trabalho de bastidores que é necessário desenvolver. Sim, porque o turismo é uma atividade de bastidores, onde os factores estruturais são essenciais ao bom desempenho. Não chega servir de braços abertos, é necessário uma política concertada que possa responder a este grande desafio. E o desafio é gigantesco. Vejamos. Que interessa perspectivar um aumento na procura se as estruturas não estiverem preparadas? Os serviços do SEF nos aeroportos? Os aglomerados de autocarros cheios de turistas que entopem o centro de Sintra? Os bairros históricos completamente congestionados de turistas, onde já se assiste a despejos em prédios inteiros para darem lugar a hotéis de charme ou a apartamentos para o alojamento local? São questões atuais que merecem algum cuidado e atenção. Importa referir que sou turismo-dependente e que me satisfaz muito ver a revitalização que as cidades têm registado devido do crescimento do turismo. Mas tendo em conta que os valores que atualmente definem a procura turística se centram na autenticidade, na genuinidade e na identidade de um povo, preocupa-me que o crescimento não esteja assente numa gestão inteligente, sustentada e estratégica dos destinos turísticos.

Entre outras coisas, é fundamental criar novos polos de atração que possam descongestionar as zonas mais sobrecarregadas, tornando as experiências de visita turística mais agradáveis. É preciso um aumento de eventos, ao longo do ano, que possa compensar a sazonalidade e aumentar a dispersão territorial. É preciso aumentar o preço do turismo, sem nunca esquecer que os autóctones também visitam os lugares.

Ou seja, é preciso assumir o turismo como uma atividade estrutural sem nunca esquecer que a massificação não pode impor-se como característica dominante no nosso país. A actividade turística deve estar em condições de oferecer, em permanência, qualidade a todos os que nos visitam.

Mafalda Patuleia
Diretora do Departamento de Turismo do Grupo Lusófona

*Confederação do Turismo Português, 2016
*Secretaria de Estado do Turismo, 2016