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Universidade Lusófona

União Europeia 2.0 ou Estados Unidos da Europa?

Crónica de Elói J. F. Figueiredo

Opinião Elói J. F. Figueiredo

Elói J. F. Figueiredo

Entro num táxi, "para o aeroporto por favor". Pergunto, "há quanto tempo trabalha cá?" O taxista responde "há 25 anos; mas a vida está difícil. Antes do Euro, o dinheiro rendia mais; hoje não se consegue viver no centro da cidade; o preço das casas disparou; os custos de vida aumentaram; só estou à espera que os meus filhos se formem e depois volto para a Turquia." Esta foi uma conversa simples em Amsterdão, mas poderia ser em Portugal. Recentemente, a TIME fez uma reportagem sobre o anúncio do fecho da Whirlpool Corp., em França, de modo a deslocar a produção para a Polónia. "Esta é a história de hoje em França" diz um funcionário de 54 anos, que começou a trabalhar na fábrica aos 20 anos, onde conheceu a sua mulher e amigos. "Desde 2000, os trabalhadores têm sido atirados para fora como Kleenex", adianta. "Desde 2008, não há empregos. Aqui em França não há trabalho, não há empresas", remata. Por outro lado, o Brexit mostrou que no Reino Unido, os jovens em geral acreditam na União Europeia (UE) - os jovens são agora "cidadãos do mundo" que veem nos outros países uma oportunidade de emprego e nos imigrantes uma oportunidade social.

Portanto, hoje há uma sociedade da UE dividida. A população mais velha dos países mais ricos, em ambiente de crise económica, questiona a vantagem da União; a população mais nova, sem abdicar da sua história e cultura, abraça o ¿mundo¿. Contudo, o povo e os votos têm sempre razão. A partir do momento que as vantagens não chegam à generalidade da população, pode-se questionar a mais valia que a UE designava. Contudo, em termos políticos, a UE vive hoje numa asfixia paralisante. Após o Brexit, acordamos todos os dias com notícias de novas eleições num estado membro que podem desencadear uma desintegração da UE. Os políticos dos países mais ricos, pressionados pela população, estão relutantes em implementar reformas económicas que impliquem perda de privilégios adquiridos. Por outro lado, a crise dos refugiados impede a aplicação de medidas para aprofundamento da integração.

O projeto europeu é muito valioso para estar sujeito a constantes incertezas e ameaças. Este ano comemoram-se o 60.º aniversário do Tratado de Roma e o 25.º aniversário do Tratado de Maastricht, que estabeleceram as bases do mercado comum na Europa e tornou possível pensar numa União. Contudo, será que é possível implementar uma nova estratégia económica dentro da UE ¿ União Europeia 2.0 " sem assumir a criação de um estado federal" Estados Unidos da Europa?