Co-fundador do Instituto Paulo Freire de Portugal. Vice-Presidente do Comité de Investigação de Sociologia da Educação da Associação Internacional de Sociologia.
Coordenador da Rede Iberoamericana de Investigação em Políticas de Educação (RIAIPE-CYTED). Autor de uma vasta obra sobre políticas de educação, publicada em Portugal, Brasil, EUA, França e Espanha.
• Que expectativas tem para o futuro na ULHT?
Os tempos próximos vão ser de grande exigência, por múltiplas e variadas razões, que vão da crise económica que afeta grandemente setores da população que procuram na educação superior um meio de melhoria de vida, até problemas de regulação estatal que limitam seriamente a autonomia das Universidades e, objetivamente, prejudicam o serviço público que estas prestam à sociedade.
Os tempos de crise são também tempos de oportunidades. A Universidade Lusófona tem procurado transformar dificuldades em possibilidades. A minha expectativa, enquanto Diretor do Instituto de Ciências da Educação, é que continuemos nesse caminho, afirmando:
- Um ensino graduado (licenciatura) de grande qualidade, adaptado aos diferentes perfis de estudantes que procuram a Universidade, relevante para os seus percursos profissionais futuros e capaz de incorporar o conhecimento e a prática científica na formação oferecida;
- Um ensino pós-graduado (nomeadamente a nível de mestrados e doutoramento) que responda às necessidades de formação avançada de todos os que têm a educação como a sua principal atividade, em particular os professores e demais técnicos de educação.
Neste último domínio, a nossa intenção é a de proceder a uma ampla diversificação das formações a nível de mestrado, permitindo formação em áreas como a Supervisão Pedagógica, a Educação Sexual, a Educação Intercultural, as Políticas de Educação e o Desenvolvimento Sustentável, a Educação e Formação de Adultos, para além da consolidação das áreas já existentes da Administração e Regulação da Educação, da Educação Inclusiva e da Orientação Educativa. Complementar a esse propósito é o de afirmar o programa de Doutoramento em Educação como uma referência científica no espaço lusófono, consolidando a procura existente e fazendo do intercâmbio de estudantes e investigadores brasileiros e africanos com os estudantes e investigadores portugueses a sua marca identitária.
• Que motivações tem para o trabalho do seu dia a dia?
A maior alegria que um professor pode ter é ver os seus estudantes ultrapassarem, em conhecimento e capacidade crítica, os seus mestres. Essa é a maior motivação para o trabalho que cotidianamente desenvolvo com estudantes, no meu caso, maioritariamente, estudantes de mestrado e doutoramento, alguns com larga experiência profissional e uma rica história de vida.
Globalmente, reportando-me ao conjunto da Universidade, a grande motivação para 2010-2011 será a de dar um forte impulso às atividades de investigação e desenvolvimento (I&D), no quadro de centros de investigação reconhecidos, com projetos de investigação aprovados nacional e internacionalmente, capazes de incorporar a investigação que se faz na melhoria da qualidade do trabalho docente, a começar pelo nível de licenciatura. Os tempos que se vivem são tempos de mudança, o que redobra a necessidade de rigor e exigência no nosso trabalho cotidiano, pois a educação e a cultura continuam a ser a principal riqueza dos povos.




