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Universidade Lusófona

Discutir o futuro da cosmética

"É urgente distanciar o cosmético de uma coisa fútil como um rímel ou um baton"

"É urgente distanciar o cosmético de uma coisa fútil como um rímel ou um baton", disse Catarina Rosado no V Congresso Nacional de Ciências Dermatocosméticas que decorreu em maio na Universidade Lusófona.


À semelhança do ano passado a Lusófona voltou a receber o Congresso Nacional de Ciências Dermatocosméticas. A quinta edição trouxe a debate os últimos avanços científicos feitos na área dos cosméticos.

Catarina Rosado, docente na Escola de Cilênias e Tecnologias da Saúde (ECTS) da Lusófona, disse ser urgente distanciar o cosmético "de uma coisa fútil como um rímel ou um baton". Os cosméticos ao serem utilizados por todos "desde a criança ao idoso", explicou, tornam-se essenciais "para o bem-estar da pele e da saúde em geral", concluiu Rosado.


Os desenvolvimentos feitos em Portugal, nesse sentido, foram visíveis nas apresentações feitas ao longo do dia. O tema escolhido para o encontro foi a regulamentação que, para Fernanda Bahia, veterana no congresso, ainda é "precária" nos Estados Unidos mas "muito mais cuidada" nos países europeus.

O estado da arte foi feito nos três painéis onde foram discutidas as novas técnicas usadas, por exemplo, durante um transplante capilar. Fátima Garcês, diretora da Clínica Saúde Viável, onde se fazem este tipo de tratamentos, confirmou ao público "uma procura abrupta" pelos tratamentos realizados na clínica e a importância dos mesmos na "re-construção da auto-confiança e autoestima", disse.

Medicamento ou cosmético?

Fernanda Bahia, professora catedrática da Faculdade de Farmácia do Porto, referiu que apesar das diferenças "há caminhos que se cruzam" entre o medicamento e o cosmético. As semelhanças passam pelo rótulo e pela embalagem. A forma de admnistração varia pois o cosmético, normalmente, "não é ingerido", explica, sem esquecer que a exigência nos medicamentos "é maior do que nos cosméticos" pois os efeitos colaterais destes últimos são menores do que nos primeiros.

A "cosmetico-vigilância" - termo utilizado por Bahia - "ainda está a começar", no entanto, a qualidade, a exigência e a competição no mercado "têm aumentado significativamente", disse.

O cosmético de hoje

Catarina Rosado sublinhou ainda que a segurança dos cosméticos é algo "que preocupa o consumidor e as autoridades regulamentares". Para isso, apostam não só em produtos mais eficazes e rigorosos mas também em investigações "mais profundas sobre o tema".

Portugal "infelizmente" disse, não faz tanta ciência "como o desejado". Em contrapartida existe investigação em desenvolvimento "ao nível académico e industrial" o que mostra a importância de "investir neste setor" e fazê-lo crescer.

Para o futuro, Fernanda Bahia prevê uma maior especificidade nos produtos comercializados o que implica, alertou, ser necessário ter cosméticos "para públicos diferenciados", como se de um medicamento se tratasse.

Patrícia Franco
Redação LOC