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Universidade Lusófona

Apresentação do livro "Jogar é estar perto dos Deuses"

2º Volume - A estrutura lúdica do universo

Exposição

Data

Local

Auditório Agostinho da Silva

15 Fevereiro 2018

Com a participação de

  • Carlos Neto (Prof. Catedrático F.M.M/ULHT)
  • José Manuel Subtil (Prof. Catedrático da U. Autonoma)
  • Jorge Proença
  • Francisco Alberto Ramos Leitão
  • Isilda Maria de Sousa Leitão

Resumo

O jogo, tantas e tantas vezes desvalorizado e vilipendiado, deveria interessar mais o mundo de hoje. Num momento histórico em que, particularmente por questões de segurança, o homem vive, tão intensamente, as questões da liberdade, raramente associamos o jogo à ideia e vivência dessa mesma liberdade. Quando tudo parece centrar-se na eficácia e no rendimento, no trabalho, na competitividade e na cega redução do défice, numa altura em que impera o passadista, antidemocrático e anti-lúdico pensamento de que «assim é que está bem e não poderia ser de outra forma», numa altura em que é rei o antidemocrático e anti-lúdico princípio de que "não há alternativa", virarmo-nos para o jogo, para o jogo dos homens e para o jogo dos deuses, remete-nos para o confronto com a liberdade, com o novo e o desconhecido, com o diferente, com a alteridade. Um mundo, uma democracia, uma educação, que não se abre ao jogo, aos sonhos e aos valores da ilusão, corre o risco de sucumbir a todo esse tipo de totalitarismos que engendram pessoas irresponsáveis, resignadas, conformadas e submissas. O jogo pertence, indubitavelmente, ao reino da liberdade. Como poderia deixar de ter uma função libertadora? Ensinamentos profundos os que o jogo, num mundo como o de hoje, nos traz. Mundo onde por excesso de tragédia, homens e sociedade, parecem incapazes de criar valores, parecem incapazes de produzir uma esperança. Sim, deveríamos levar o jogo mais a sério, deveríamos levar mais a sério essa atividade que, por contraste com as coisas sérias da vida, entendemos como atividade não-séria. Não podemos continuar a ignorar, não podemos continuar a desvalorizar, o papel que os jogos, os mitos, os rituais, sempre tiveram, têm, terão, na formação e desenvolvimento da humanidade. O jogo é uma experiência primordial que põe o homem, desde o seu nascimento, em contacto com o que é a liberdade e o destino, com o que controla e lhe escapa, com o previsível e o imprevisível, com o luminoso e o labiríntico, com a sorte e o azar. Afinal, como nos ensina Alexandre Koyré, a civilização não nasce do trabalho, mas do jogo e do tempo livre. Não podemos continuar a ignorar que a vida é um jogo e que o homem é um Homo vere ludens, da mesma forma que deus, o deus criador, é igualmente um deus verdadeiramente lúdico.