Docente da ULusófona participa em estudo internacional sobre ambientes extremos
Investigação analisa missões na Antártida e mostra que a proximidade constante pode aumentar conflitos e reduzir perceção de desempenho
Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS)
O docente da Universidade Lusófona, o professor Pedro Marques-Quinteiro, participou num estudo internacional publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), que analisa o impacto das interações sociais em equipas que operam em ambientes isolados, confinados e extremos.
A investigação mostra que, nestes contextos, a proximidade física constante entre membros de uma equipa nem sempre contribui para uma maior coesão. Pelo contrário, em determinadas circunstâncias, pode estar associada ao aumento de conflitos interpessoais, desconfiança e menor perceção de desempenho.
O estudo analisou a dinâmica social de uma tripulação de 12 pessoas durante uma missão de inverno com dez meses na Estação Concordia, na Antártida, uma das bases científicas mais remotas do planeta e frequentemente utilizada como análogo para futuras missões espaciais de longa duração.
Ao longo da missão, os participantes responderam a questionários psicológicos em vários momentos e utilizaram sensores corporais que registaram automaticamente a proximidade física entre membros da equipa. Esta abordagem permitiu acompanhar a evolução das relações sociais, níveis de solidão, conflito, desconfiança, coesão e perceção de desempenho ao longo do tempo.
Os resultados indicam que uma maior frequência de contacto físico não se traduziu necessariamente em melhores dinâmicas de grupo. Os participantes com mais interações próximas reportaram, em média, mais conflitos interpessoais, maior desconfiança e uma perceção mais negativa do desempenho da equipa. Os autores sublinham, contudo, que se trata de um estudo correlacional, não sendo possível estabelecer uma relação de causalidade direta.
O estudo identificou ainda a formação progressiva de subgrupos dentro da equipa, frequentemente organizados com base na língua ou nacionalidade. Embora estes subgrupos possam oferecer apoio emocional em contextos de elevado stress, podem também contribuir para a fragmentação social e reduzir a coesão global da missão.
As conclusões são relevantes para futuras missões espaciais de longa duração, bem como para outros contextos extremos como submarinos, plataformas offshore ou bases polares, onde a convivência prolongada em espaços reduzidos representa um desafio acrescido.
A investigação foi desenvolvida por uma equipa internacional envolvendo universidades de Berna, Zurique, Turim, Lisboa, Melbourne e Madrid, sob o título “Social interactions in isolated, confined, and extreme environments: a study of Antarctic winter teams using wearable sensors”.





