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Universidade Lusófona

Jornalismo a todas as vozes

Uma democracia forte precisa de jornalistas sem preconceitos.

Uma das funções destinadas ao jornalismo é a proteção da democracia. E numa democracia a igualdade de direitos deve ser uma realidade. Para além do que é mediático, os jornalistas têm a obrigação de também dar voz às minorias.

Questões em discussão no workshop "Jornalismo, ativismo e democracia", coordenado por Daniel Cardoso, com o apoio da licenciatura em Comunicação e Jornalismo, e enquadrado na Operação 7 Dias com os Media, iniciativa nacional anual de promoção da literacia mediática.

As jornalistas Catarina Marques Rodrigues, do jornal Observador, Carla Fernandes, da Rádio Afrolis, e Fernanda Câncio, do Diário de Notícias, animaram o encontro em formato de tertúlia, 9 de maio, na Lusófona. O auditório, numeroso e interessado, contribuiu com perguntas e testemunhos.


"Diversidade torna os média melhores"

Um "espelho da sociedade". É esta a principal função dos média, afirma Catarina Marques Rodrigues. E isto significa que "todas as pessoas tem o direito de representação". Um jornal generalista "não fala só para um público alvo mas, para todos".

Para a jornalista do Observador, deve-se apostar nos temas que não costumam ser abordados numa redação, pois tornam-se uma mais valia para o meio de comunicação social. "A diversidade torna os média melhores", considera. Catarina Marques Rodrigues cita como exemplo a notícia publicada pelo Observador sobre o facto de, pela primeira vez, um terço dos deputados serem mulheres. A peça tornou-se viral, uma vez que o 2efeito de novidade" desperta "curiosidade".

Assumindo que é também ativista pela defesa da igualdade de direitos, a jornalista afirma que as dificuldades em apostar em temas menos habituais são reais. A explicação é simples: as redações são constituídas por pessoas com preconceitos. Mas "é através da insistência e do provar que toda a gente merece ser representada que se vai conseguindo".


Desafios ao ativismo

Carla Fernandes partilhou a sua experiência. A jornalista da rádio Afrolis explica que num determinado momento do seu percurso profissional sentiu necessidade de se aproximar do ativismo e afastar dos média. Talvez porque "o ativismo intervém e o jornalismo escreve". Foi assim que mergulhou no projeto Afrolis, um Rádio Blog que tem como objetivo dar voz aos negros descedentes de africanos que nasceram em Portugal. Para Carla Fernandes, "os negros que nasceram aqui nunca foram representados", são "excluídos do contexto português que é o único que conhecem".

De entre os desafios que se depara no seu trabalho, nomeia a dificuldade em encontrar fontes fidedignas. "Temos de fazer tudo para ontem e todos têm as mesmas fontes oficiais", ressalta. Em comparação, "na Alemanha já existem pessoas que representam essas minorias", sendo mais fácil encontrar informação e testemunhos.


Falar de minorias devia ser natural

Fernanda Câncio lembrou que quando falamos de direitos humanos e em estereótipos mediáticos, não falamos só de minorias, "mas também de uma maioria": as mulheres. Apesar de trabalhar há vários anos o tema ativismo, faz questão de separar os campos. O jornalista, afirma, deve trabalhar naquilo que considera ser notícia independentemente das opiniões pessoais que tem sobre os assuntos em causa.

Falar de minorias nos meios de comunicação social devia ser natural, considera a jornalista do Diário de Notícias. "Ser jornalista é tentar mostrar coisas que não são óbvias", logo, dar o que todos dão não passa de mau trabalho.

Consulte aqui o podcast que lhe permite ouvir na íntegra as convidadas da tertúlia.

Jessi Martins
Notícias Lusófona