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Universidade Lusófona

Gerontologia Social - A velhice em discussão

"Precisam as pessoas idosas de serem protegidas?" Foi a pergunta que marcou a tarde.

Esta foi uma pergunta que mereceu resposta dos vários especialistas que marcaram presença no Seminário Internacional de Gerontologia Social, iniciativa que teve inicio pela manhã, com abertura de Carlos Diogo Moreira, diretor do Instituto de Serviço Social, e se prolongou pela tarde fora.

Uma perspetiva diferente. E bem aceite.

"Não, não e não", foi a resposta de Paula Guimarães, que se destacou, pela sua destreza, na Mesa Redonda intitulada "Direitos e Proteção das Pessoas Idosas?". "Não, porque não sei o que são pessoas idosas", acrescenta, afirmando ainda que "é impossível encontrar similitude entre pessoas deste leque de idades." A diretora do Gabinete de Responsabilidade, que no final recebeu um forte aplauso de todos os que assistiam ao seminário, defende que faz sentido falar em direitos das pessoas, não em direitos dos idosos e que, como tal, devemos encontrar soluções universais, transversais.

Aceitar que a velhice existe, e que não é assim tão fácil.

Por outro lado, e ainda no painel que teve inicio às 14h30, tivemos a intervenção de Maria Rosário Gama, líder da associação Apre!, que se ergue em defesa dos Aposentados, pensionistas e reformados. Maria Rosário, contrariamente ao que Paula Guimarães defendeu, afirma que "há uma razão natural para que essa proteção exista". Envelhecer é algo natural, que acontece a todos, e com esse envelhecimento "começa a haver degradação das funções, e isso justifica a proteção". O aumento da vulnerabilidade, inerente a essa degradação, é, na ótica de Maria, razão mais que suficiente para que exista e se fale em proteção.

Pegando num dos pontos da tal vulnerabilidade, Rui Fontes, presidente da AAGI, Associação Amigos da Grande Idade, defendeu também essa proteção. Falou do que viveu e do que viu, nomeadamente de pessoas a tomarem decisões sem qualquer consentimento das pessoas idosas, filhos que não aceitavam ou nem sequer tinham em consideração a opinião dos seus pais, já mais idosos e sem a capacidade de se imporem."Existem leis feitas, mas estas não se cumprem", e como tal sim, "precisam de muita proteção, precisam da proteção de todos nós".

Diversidade e o direito à privacidade: onde estão?

Quase no fim do seminário, os convidados debateram assuntos que, muitas vezes, são ainda tabu em idades mais avançadas. "Nunca conheci um idoso/a que se assumisse como homossexual", conta Rui Lopes, tendo já trabalhado em vários lares. É muito comum pensarmos que as pessoas mais velhas não têm uma vida sexual ativa, e muitas vezes nos lares, em que os habitantes têm de manter sempre as portas dos seus quartos abertas, o direito a essa vida sexual não se respeita. Tal como não se respeita a diversidade, quando muitos lares estão decorados com terços e adereços religiosos, esquecendo-se de que existem muitas religiões, e de que as pessoas são todas diferentes.

O seminário terminou com a intervenção de José de Faria Costa, Provedor de Justiça da República Portuguesa.

Inês Palma
Comunicação Institucional
Notícias Lusófona