O futuro é humano.
Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS)
Carla Rodrigues Cardoso
O que (mais) dizer sobre o atual fascínio com a inteligência artificial? O tema tomou conta da agenda mediática, do debate académico e social. Enjoa de tão presente. Parece um Covid-19 – Parte II. Uma sequela mal filmada.
A inteligência artificial não é nem novidade nem inteligente. Procura, remixa e oferece uma espécie de empadão mal cozinhado. Não é criativa, nem pode ser. Mente quando lhe dá jeito, porque se não sabe, inventa. E vai ao encontro dos desejos de quem lança com inocência os seus prompts.
Muitos estudantes renderam-se aos encantos dos ChatGPT e dos seus múltiplos familiares. O resultado são trabalhos semelhantes, quase sem erros formais, asséticos. Dão nas vistas por serem medianos, vazios, artificias. Sem rasgo, muito menos com algum resquício de genialidade.
Recorrer a inteligência artificial como tecnologia, como instrumento de apoio ao trabalho, faz tanto sentido como usar um portátil, uma calculadora ou um telemóvel. Mas acreditar que delegar o raciocínio, a capacidade de refletir, em dispositivos técnicos não tem consequências é, no mínimo, ingénuo. O futuro é de quem pensa, cria, concretiza, erra, emociona-se, chora e ri. É humano.
Carla Rodrigues Cardoso
Professora Associada (ECATI)
Coordenadora Científica do MagLab (CICANT)
Universidade Lusófona - Centro Universitário de Lisboa





