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Falecimento do Sociólogo Edgar Morin

A Universidade Lusófona apresenta à família enlutada sentidas e profundas condolências

02.06.26 - 15h45

Edgar Morin (1921-2026)

Dia 29 de maio faleceu o grande sociólogo e filósofo francês Edgar Morin, que atravessou o século XX e as primeiras décadas do século XXI e que, com o seu pensamento complexo ("que engloba em lugar de separar"), marcou profundamente as ciências sociais. Lido e reconhecido no mundo inteiro, entre as suas obras contam-se: Introduction à une politique de l’homme (1969), Le Paradigme perdu : la nature humaine (Le Seuil, 1973), seis volumes de La Méthode (Le Seuil, 1977-2004), Pour une politique de civilisation (Arléa, 2002), Leçons d’un siècle de vie (Denoël, 2021).

A par do pensamento livre, que sempre cultivou, Edgar Morin lutou incessantemente por uma visão pluridisciplinar da ciência e da cultura, ou seja, pelo diálogo entre todos os saberes, as artes, a política e a filosofia, quebrando as barreiras entre as disciplinas. Como filósofo e como antropólogo procurou compreender a complexidade antropossocial, incluindo aí as dimensões biológica e imaginária, sempre orientado pelo ponto de vista das ligações e dos sistemas, ou, como o próprio dizia, da « reliance », i.e., daquilo que une os seres.

Defendeu os valores humanistas da solidariedade, do amor, da amizade e da comunhão e salientou que a incerteza é uma componente da condição humana (a incerteza cognitiva e a incerteza histórica). Terá sido quem melhor nos fez compreender, contra a certeza e a univocidade, a incerteza do real, do conhecimento ou da ciência, e da ação.

Em 2019, a Universidade Lusófona atribuiu a Edgar Morin o Doutoramento Honoris Causa, numa notável cerimónia engrandecida por tão distinta e ímpar presença, pelo seu olhar perspicaz e pelas suas lúcidas palavras.

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