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Machine à Crier explora conflito, som e media

Instalação interativa transforma o grito em experiência sonora crítica numa instalação integrada no ciclo Materialidades dos Media e Estética

10.07.26 - 10h49

A obra Machine à Crier foi apresentada no âmbito do Ciclo de Conferências Materialidades dos Media e Estética, numa iniciativa que cruza investigação artística, tecnologia, som e reflexão crítica sobre os media contemporâneos.

A instalação interativa parte de uma ideia central: o conflito enquanto fenómeno estético, sonoro e mediático. O próprio título da obra remete para o seu funcionamento, uma vez que a peça capta o som ou o grito através de dois cones simétricos, alterando o ambiente sonoro em resposta à participação do público.

Mais do que uma obra para ser apenas observada, Machine à Crier propõe uma experiência ativa, na qual a presença e a voz dos participantes influenciam diretamente o comportamento sonoro da instalação. A obra explora, assim, a relação entre corpo, máquina, som e perceção, aproximando o espectador do processo criativo.

A apresentação integrou o projeto FilmEU Enact-Now, que investiga a chamada “estética do conflito” e o papel das imagens, dos arquivos, dos media e dos materiais digitais na construção de narrativas sobre conflitos passados, presentes e futuros. O projeto cruza investigação artística, ficção, imagem e som, com especial atenção a materiais como found footage, arquivos, resíduos digitais e big data.

O Ciclo de Conferências Materialidades dos Media e Estética, promovido pela Universidade Lusófona — Centro Universitário Lisboa, pretende refletir sobre a forma como os sistemas tecnológicos e os dispositivos mediáticos influenciam a criação artística, a perceção e a experiência cultural. A iniciativa reúne investigadores e artistas em torno das relações entre media, técnica e estética, abrangendo áreas como música, literatura, teatro e performatividade.

Neste contexto, Machine à Crier surge como uma proposta que materializa algumas das questões centrais do ciclo: como é que a tecnologia transforma a criação artística, de que modo os media moldam a experiência sensorial e como pode a arte contemporânea refletir sobre o conflito através do som, da interação e da participação coletiva.


Texto
Filipa Cávem

Vídeo (Cobertura)
Marco Migueis e Matilde Gomez

Vídeo (Edição)
Rui Simões

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