O futuro do trabalho esteve em debate no Happiness Camp 2026
A conferência reuniu especialistas internacionais para debater a liderança, a inteligência artificial e a dimensão humana das organizações
Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS)
O Happiness Camp 2026, a maior conferência europeia dedicada ao futuro do trabalho, decorreu a 24 de setembro, na Alfândega do Porto, reunindo especialistas internacionais das áreas da liderança, comunicação, marketing, cultura organizacional e comportamento humano.
Enquanto parceira do evento, foi disponibilizado à Universidade Lusófona 500 bilhetes à sua comunidade académica, proporcionando a estudantes, docentes, investigadores e alumni a oportunidade de fazer networking e de participar em algumas das principais discussões sobre o presente e o futuro das organizações.
Num contexto em que a inteligência artificial está a transformar as profissões e as organizações procuram novas formas de atrair talento, promover o bem-estar e melhorar o desempenho, o evento colocou uma questão central: o que devem as empresas preservar para que a transformação tecnológica não comprometa aquilo que nos torna humanos?
Na sessão de abertura, António Pedro Pinto, fundador e CEO do Happiness Camp, defendeu que não existe uma fórmula mágica ou única para construir organizações felizes. Num mundo em constante transformação, destacou a importância de criar ambientes seguros e de dar liberdade às pessoas para desenvolverem o seu potencial. Mais do que apresentar respostas definitivas, o evento procurou estimular a reflexão e levantar novas questões sobre a forma como trabalhamos e nos relacionamos.
Entre as intervenções, Adam Hickman, com experiência na The Walt Disney Company e mais de uma década de investigação sobre o local de trabalho na Gallup, abordou a importância da liderança num contexto de incerteza. Na palestra Why Leadership Matters More Than Ever: Creating Clarity, Trust and Performance in an Uncertain World, destacou quatro necessidades fundamentais para o desempenho das equipas: confiança, estabilidade, empatia e esperança.
A confiança constrói-se através da integridade, da coerência e da capacidade de cumprir aquilo que se promete. A estabilidade exige direção, disciplina e comunicação clara. A empatia implica demonstrar um interesse genuíno pelas pessoas, para além dos resultados que alcançam. Já a esperança depende da capacidade de transmitir uma visão de futuro e de mostrar que existe um caminho para a concretizar.
A mensagem foi clara: liderar não significa eliminar a incerteza, mas criar condições para que as pessoas consigam enfrentá-la. Para isso, os líderes devem ser uma presença consistente, ajudar as equipas a compreender as prioridades e fazer com que cada pessoa se sinta reconhecida, ouvida e valorizada.
Esta dimensão humana esteve também no centro da mesa-redonda The Human Edge: What Companies Must Protect When AI Changes Everything. Na discussão sobre o impacto da inteligência artificial nas organizações, os participantes refletiram sobre a necessidade de preservar a confiança, a empatia, o sentimento de pertença e o significado do trabalho, mesmo quando cada vez mais tarefas são automatizadas.
Entre as recomendações dirigidas às lideranças estiveram a importância de ouvir as equipas, falar abertamente sobre bem-estar, comunicar com generosidade e dar o exemplo. Reconhecer as dificuldades e as próprias vulnerabilidades foi igualmente apontado como uma forma de criar relações mais próximas e fortalecer a empatia.
A dimensão emocional das relações profissionais esteve igualmente presente na intervenção de Camille Phillips, antiga Head Employer Branding da Meta. Na palestra People Don’t Join Companies. They Join How It Feels: The Psychology Behind Great Employer Brands, a especialista explorou o papel da confiança, da identificação e do sentimento de pertença na forma como as pessoas escolhem uma organização.
Num cenário em que a inteligência artificial facilita a produção de conteúdos e campanhas de recrutamento, a diferenciação passa também pela capacidade de construir marcas empregadoras autênticas, capazes de traduzir a cultura de uma organização e de criar uma ligação real com as pessoas. A apresentação incluiu exemplos de campanhas centradas na dimensão humana, nos sentimentos e nas experiências que aproximam as pessoas das marcas.
A experiência no local de trabalho foi outro dos temas em destaque. Na mesa-redonda The Office Is Not Dead. Boring Offices Are: How to Earn The Commute Through Community, Culture and Experience, Nicole Senior, Francis Aquino e Michiel Bakker discutiram a necessidade de repensar o papel dos espaços físicos num contexto de trabalho híbrido. Mais do que um local para trabalhar, o escritório deve proporcionar experiências que justifiquem a deslocação, favoreçam a colaboração, reforcem a cultura organizacional e criem oportunidades de aprendizagem e convívio.
Por sua vez, Diana Ringe Krogh, com experiência no LEGO Group, abordou a relação entre impacto social, propósito e cultura organizacional. Através de exemplos ligados à responsabilidade social e ao valor do brincar, destacou o potencial destas dimensões para desenvolver competências, estimular a expressão individual e reforçar o sentimento de pertença.
Um dos momentos mais marcantes do programa foi a intervenção de Steven Bartlett, empreendedor e apresentador do podcast The Diary of a CEO. Na palestra The Attention Economy: Why We’re More Connected, More Distracted, and More Lost Than Ever, o orador refletiu sobre o paradoxo de uma sociedade com mais ferramentas de comunicação e acesso à informação, mas também exposta à distração constante e à dificuldade em manter o foco no que realmente importa.
Entre as ideias abordadas estiveram a necessidade de aceitar objetivos ainda por concretizar, repensar a definição de sucesso e questionar os rótulos através dos quais construímos a nossa identidade, pois embora possam proporcionar um sentimento de pertença, esses rótulos também podem limitar a forma como nos vemos e as possibilidades que reconhecemos para nós próprios.
Ao longo do Happiness Camp 2026, diferentes perspetivas convergiram numa ideia essencial: o futuro do trabalho não depende apenas da evolução tecnológica, mas também da capacidade de construir organizações onde as pessoas encontram confiança, propósito, relações significativas e espaço para crescer.
Com esta parceria, a Universidade Lusófona proporcionou à sua comunidade académica a oportunidade de conhecer novas perspetivas, refletir sobre os desafios do futuro do trabalho e explorar ideias que podem contribuir para transformar as organizações.
Consulte as Fotografias do Evento no Facebook da ULusófona
Cobertura & Texto
Susana A. Oliveira
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