A propósito da medalha de 25 anos de serviço
Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS)
Paulo Mendes Pinto
Era março de 1998 entrei pela primeira vez na Universidade Lusófona. Pelas mãos do Pastor Dimas de Almeida e do Frei Bento Domingues, começava a dar uma cadeira de História das Religiões. Era a concretização de um sonho. Uma porta que se abria, fundamentalmente enquanto realização. A completude parecia ser uma sensação capaz de ser atingida. E nesse momento, era-o.
Passaram os anos, os cursos e as cadeiras lecionadas foram-se diversificando. Os primeiros cargos e funções, lançados como grandes desafios, foram também desempenhados. As responsabilidades corresponderam a um abraçar cada vez mais um ecossistema onde me sentia bem. Dava e sentia que esse dar correspondia, mais que a um lugar num projeto, a uma sintonia com ele.
Ao longo dos anos, os projetos multiplicaram-se. As iniciativas com comunidades religiosas cimentaram-se. Criou-se uma imagem e uma relação direta entre o estudo das religiões e a Universidade Lusófona. Era como um círculo que se fechava e me demonstrava algo muito simples, e belo: o que eu desejava fazer, no cruzamento entre o conhecimento das religiões e a cidadania, tinha aqui um lugar, numa instituição que em que vivia uma total liberdade de criação e inovação.
Apenas na Lusófona eu poderia ter feito o que fiz, sem pesos de hierarquias, sem medos de ser mal-entendido, sem receio de que isso fosse mau para a minha carreira. O apelo de um lugar numa universidade pública várias vezes me foi posto à frente, mas o preço era por mim sabido: eram ecossistemas totalmente avessos à forma como eu criava, e teria de abandonar toda a dinâmica de projetos e de iniciativas que tinha posto em andamento.
Fiquei na Universidade Lusófona, não por inércia, mas porque aqui me revi num projeto de ensino centrado na inovação, na capacidade criadora, na valorização de quem faz diferente. A Reitoria e a Administração sempre me apoiaram nos desafios que eram lançados.
E este meu percurso, mais que um olhar centrado em mim, corresponde a uma tomada de consciência que apenas em alguns momentos da vida fazemos. E, tantas vezes, isso acontece porque surge um pretexto. E esse foi a recentemente criada medalha dos 25 anos de serviço.
Fui receber a minha, afinal já tenho 28 anos de “casa”, mas fomos muitos os que a receberam. Não éramos uns 10 ou 15. Não, na cerimónia, agilmente dirigida pelo Dr. Paulo Lopes, os rostos e os nomes iam-se sucedendo. Tantos que não sei quantos foram, mas verifiquei o que poderia ter feito antes, mas nesse momento era por demais óbvio: seja no corpo docente, seja nos mais variados serviços, a estabilidade é claramente uma marca da Universidade Lusófona. São 161 os docentes e funcionários que a podem receber. Muitos já cá estão, como eu, há mais de 25 anos! E isso é raro e deve implicar leituras.
Por razões diversas, consoante os serviços e os enquadramentos, cada um destes homenageados deu mais de 25 anos de trabalho a um mesmo projeto, o que significa muito. Significa muito para cada um de nós, mas coloquemos o olhar no lado da instituição. Do lado da Universidade Lusófona, do lado da COFAC, a sua instituidora, isto significa que, mesmo com adversidades pelo meio, crises variadas e intempéries graves, acreditámos no projeto e ficámos sólidos com ele. Ele foi parte de nós e, naturalmente, nós fomos, e somos, parte dele.
É uma simbiose que se expressa numa longevidade que continuará a marcar essa relação, mais que laboral, de identidade.
Somos Lusófona!
Paulo Mendes Pinto
Coordenador da área de Ciência das Religiões na Universidade Lusófona
Universidade Lusófona - Centro Universitário de Lisboa





