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Projeto AI-LITERATE promove literacia em IA no ensino superior c/ Lucia Mesquita

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Projeto europeu procura reforçar as competências digitais de estudantes e docentes para uma utilização crítica da IA

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21.10.26 - 19h30

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A inteligência artificial está a transformar a forma como o ser humano estuda, ensina e adquire conhecimento. Mas, entre as oportunidades que oferece e os riscos que levanta, há uma questão que ganha cada vez mais importância no ensino superior: como distinguir informação fiável de conteúdos incorretos ou fabricados por estas ferramentas?

É neste contexto que surge o AI-LITERATE – Upskilling Higher Education in the Age of Generative AI and Disinformation, um projeto europeu que reúne universidades e organizações de cinco países, incluindo a Universidade Lusófona. O objetivo é reforçar a literacia em inteligência artificial na comunidade académica, com especial atenção à desinformação, à ética e à integridade académica.

“A desinformação já não fica focada num único país. Cruza fronteiras e influencia o debate público em diferentes contextos”, explica Lucia Mesquita, investigadora de pós-doutoramento na ULusófona e a PI (Principal Investigator) do projeto. A crescente sofisticação dos conteúdos gerados por inteligência artificial torna a sua identificação mais difícil e coloca novos desafios à vida universitária.

Para a investigadora do Centro de Investigação em Comunicação Aplicada, Cultura e Novas Tecnologias (CICANT), a desinformação não deve ser encarada apenas como um problema exterior à universidade, uma vez que também pode afetar as relações entre estudantes e docentes, o ambiente em sala de aula e a própria aprendizagem. Por isso, defende que é necessário trazer esta discussão para o espaço académico, com base no conhecimento científico e sem reduzir o debate ao medo da tecnologia.

Um dos principais resultados previstos do AI-LITERATE é o desenvolvimento de um curso de literacia em inteligência artificial, que poderá ser frequentado de forma autónoma, com possibilidade de certificação, ou integrado em unidades curriculares já existentes. Os materiais deverão ficar disponíveis em várias línguas, permitindo alargar o seu alcance para além dos países participantes.

O projeto prevê também uma iniciativa prática, o Media Lab, que dará a jovens estudantes a oportunidade de participar na criação de conteúdos com recurso a ferramentas de inteligência artificial, num contexto colaborativo e acompanhado. A iniciativa deverá decorrer em Zagreb, na Croácia, em 2027, estando previstos concursos para a seleção de participantes.

A par destas atividades, a investigação procura identificar lacunas entre as orientações e políticas públicas sobre inteligência artificial e a sua aplicação concreta nas instituições de ensino superior. Entre os desafios identificados estão a necessidade de abordar mais diretamente a desinformação e de garantir que diferentes grupos da comunidade académica têm acesso às ferramentas e aos conhecimentos necessários para as utilizar.

Escolher a ferramenta adequada, definir claramente o objetivo e verificar os resultados são alguns dos cuidados que Lucia Mesquita considera essenciais na utilização da inteligência artificial. As respostas geradas podem conter erros, apresentar informação contraditória ou incluir referências que não existem. Por isso, conhecer o tema em análise e verificar as fontes continua a ser indispensável.

Mas mais do que estabelecer limites à utilização da inteligência artificial, o AI-LITERATE pretende contribuir para uma abordagem informada, ética e responsável, que reconheça os riscos sem ignorar as oportunidades. Num contexto em que estas ferramentas assumem um papel crescente na produção e circulação do conhecimento, a colaboração entre instituições e a capacitação da comunidade académica são fundamentais para responder aos desafios que se colocam.

Com conclusão prevista para setembro de 2027, o projeto pretende deixar ferramentas de aprendizagem, conhecimento científico e recomendações que apoiem a integração consciente da inteligência artificial no ensino superior europeu.


Créditos

Texto
Susana A. Oliveira

Produção / Reportagem
Bruna Pereira
Gabriel Motta
Susana A. Oliveira

Imagem
Paulo Renato
Gabriel Motta

Edição
Gabriel Motta

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