Para Filipe Casanova, formar treinadores é transmitir valores, cultivar a paixão pelo jogo e formar líderes
Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS)
Num futebol cada vez mais competitivo, onde os resultados parecem sobrepor-se a tudo, Filipe Casanova defende que há princípios que nunca podem ser esquecidos: a paixão pelo jogo e a ética.
Para o professor da Faculdade de Desporto e Educação Física da Universidade Lusófona, o futebol exige compromisso e uma ligação genuína à modalidade. Sem essa paixão, acredita que dificilmente um treinador conseguirá manter-se na profissão e inspirar os atletas que lidera.
Com cerca de 40 anos de ligação ao futebol — primeiro como atleta, depois como treinador e, desde 2017, como responsável pela Unidade Curricular de Futebol da Licenciatura em Educação Física e Desporto e pelo Mestrado em Treino Desportivo em Futebol da ULusófona – Centro Universitário do Porto — encontrou na academia uma nova missão: formar as próximas gerações de treinadores de futebol.
Para Filipe Casanova, ser treinador não significa apenas conhecer e aplicar táticas ou metodologias de treino. Significa também assumir uma responsabilidade educativa e social.
Na sua perspetiva, o futebol trata-se de um espaço privilegiado para formar cidadãos, promover valores e criar impacto positivo nas comunidades onde cada treinador exerce a sua atividade.
Esta visão está presente na formação oferecida pela Universidade Lusófona, onde os futuros treinadores aprendem a respeitar a essência do jogo, mas também a valorizar cada atleta enquanto indivíduo. Desenvolvem, claro, competências técnicas, mas também capacidades de liderança, proximidade, colaboração e trabalho em equipa — características que o docente considera indispensáveis para qualquer profissional da área.
Mas o caminho do treinador está longe de ser simples. Num contexto onde vencer é frequentemente encarado como a única medida de sucesso, Filipe Casanova alerta para um dos maiores desafios da profissão: nunca perder a identidade.
"A vitória pode — e deve — ser alcançada com ética, fair play e valores desportivos", sublinha.
É precisamente este equilíbrio entre competitividade e responsabilidade que procura transmitir aos seus alunos. Ganhar continua a ser importante, mas nunca à custa da essência do futebol ou dos princípios que devem orientar quem lidera uma equipa.
Mais do que formar treinadores capazes de vencer campeonatos, a sua missão passa por formar profissionais preparados para deixar uma marca positiva no futebol e na sociedade.
A mensagem que deixa é clara: a excelência constrói-se com conhecimento, mas é a paixão pelo jogo e o compromisso com a ética que distinguem verdadeiramente um grande treinador.
Produção, Reportagem e Texto
Susana A. Oliveira
Imagem
Gabriel Motta, Lara Sousa e Paulo Renato
Edição
Paulo Renato
Outros Artigos
- José de Faria Costa: Entre o Direito, Poesia e Pintura
- Daniele Santarelli: Conselhos sobre sucesso e inclusão no desporto
- Isa Meireles: Desafios jurídicos e probatórios na proteção do consumidor digital
- Susana Paixão: Alerta para os riscos da Inteligência Artificial
- Ricardo Gomes: Ilustração e Design: Conexões, Desafios e Tendências Futuras





