A especialista em saúde ambiental alerta para a consciencialização do impacto ambiental do uso da Inteligência Artificial na saúde
Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS)
Susana Paixão, Presidente da Federação Internacional de Saúde Ambiental e especialista nesta área, partilhou em entrevista a sua visão sobre os desafios que ligam a Inteligência Artificial (IA) à Sustentabilidade, destacando o impacto das alterações climáticas na saúde humana e no futuro do planeta.
“O pouco faz-se muito. Muitos de nós com o pouco, conjuntamente, faz-se muito.” É com esta reflexão que se resume a importância da ação coletiva face a uma crise que exige respostas imediatas.
A especialista destacou que as alterações climáticas não são apenas uma ameaça ambiental, mas que têm consequências diretas para a saúde humana - “Este excesso de calor faz com que nós ao mesmo tempo tenhamos problemas, por exemplo, com os alimentos que são produzidos. O aumento de calor faz com que haja um decréscimo do valor nutricional das sementes e consequentemente os nossos alimentos”. Além disso, prevê-se que o estresse térmico afete cada vez mais os trabalhadores ao ar livre, obrigando empresas e economias a repensar horários e modelos de trabalho.
A IA surge, neste cenário, como uma ferramenta de apoio. Tem permitido otimizar a gestão da água e dos resíduos, além de ajudar a analisar dados complexos e a propor soluções mais eficazes. Mas há, também, um lado negro “aquele lado que nós não pensamos. Efetivamente, os servidores necessitam de ser arrefecidos, necessitam de espaço para serem construídos, necessitam de muita energia para funcionarem e tudo isto requer recursos, requer recursos num planeta que de facto está à beira do nosso limite”, relembrou.
A especialista reforça, que a década atual deve ser encarada como a “década de ação”, tal como defende António Guterres, Secretário-Geral das Nações Unidas. Contudo, os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), inicialmente previstos até 2030, já enfrentaram sérios atrasos porque “naturalmente, tivemos um grande problema com a pandemia, que fez com que estes objetivos não pudessem ou tivesse algum recuo, no fundo, na progressão que estávamos a conseguir”.
Susana Paixão alertou, então, para a necessidade de fazer escolhas conscientes no uso da tecnologia. Ferramentas como os sistemas de Inteligência Artificial diferem de pesquisas simples em motores de busca, pois exigem muito mais energia ao reorganizar a informação. Cada utilização tem um custo ambiental que deve ser ponderado. Defende que devemos “repensar bem nas nossas formas de pesquisar e de usar estes recursos, de alguma forma, de diminuirmos a nossa pegada ambiental e contribuímos para um futuro melhor”.
Apesar de algumas grandes empresas já estarem a investir em soluções mais sustentáveis, como o recurso a energias renováveis, a especialista destaca a falta de políticas regulatórias eficazes para os organismos, como a União Europeia, cabe a eles liderar o esforço de regulação do setor.
Por fim, Susana Paixão reforça que a sustentabilidade depende tanto das empresas como dos cidadãos “o que é mais importante é, para além de todos nós podermos repensar as nossas práticas”, para assegurar um futuro viável para as próximas gerações.
Créditos
Entrevista
Catarina Machado
Imagem
Paulo Renato
Edição
Paulo Renato
Texto
Bruna Pereira





