Vhils no Great Artists on Campus #1: arte, cidade e memória em debate
Estudantes da ULusófona contactaram com o universo de Vhils e refletiram sobre a cidade como espaço de memória, arte e transformação
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O Great Artists on Campus #1 realizou mais uma sessão no Porto, no Batalha Centro de Cinema, no passado dia 10 de abril. Desta vez com a participação do artista português Vhils, dando continuidade a uma programação que aproxima criadores contemporâneos do público através de momentos de partilha e conversa.
A sessão iniciou-se com um momento de screening de várias obras audiovisuais do artista, entre as quais Raised by Wolves, um videoclipe realizado pelo próprio, permitindo ao público um primeiro contacto com o seu universo estético e conceptual.
Os trabalhos projetados durante a sessão exploraram a relação entre o humano e a metrópole, recorrendo a uma linguagem marcada pelo uso do slow motion, pela tensão entre silêncio e música, e por uma forte dimensão contemplativa. Através destas obras, tornou-se evidente o interesse de Vhils pela memória inscrita nos espaços urbanos, entendendo a cidade como um arquivo vivo composto por camadas históricas que permanecem fisicamente próximas, ainda que temporalmente distantes.
Após a projeção, o artista juntou-se à sessão em formato online para uma conversa conduzida por João Sousa Cardoso, Diretor da Licenciatura em Comunicação Audiovisual e Multimédia da Universidade Lusófona. O diálogo aprofundou os processos de criação do artista, bem como as dimensões políticas, sociais e simbólicas do seu trabalho.
“Alexandre Farto, mais conhecido por Vhils, é um dos criadores contemporâneos mais relevantes do nosso tempo, com uma carreira internacional sólida, que trabalha a partir de Portugal e que desenvolve uma verdadeira arqueologia das cidades”, destacou Sousa Cardoso.
Durante a conversa, Vhils refletiu sobre a sua prática artística enquanto processo de escavação e revelação, procurando tornar visíveis as múltiplas camadas que constituem o tecido urbano. A intervenção na rua surge, neste contexto, como um espaço de colaboração e interseção entre diferentes olhares, onde o aparente caos visual se transforma em linguagem. “O modelo mais arcaico que podemos ter de data são as ruas”, afirmou o artista, sublinhando a forma como os espaços urbanos acumulam informação, memória e identidade ao longo do tempo.
A discussão abordou ainda temas como a privatização do espaço público e do espaço digital, entendidos como novas camadas de disputa e reflexão no campo artístico. O artista destacou a relação entre o seu processo criativo e uma lógica próxima da descodificação, comparando a leitura das paredes da cidade a um exercício quase algorítmico de interpretação do que é visível e do que permanece oculto.
A sessão evidenciou, assim, a forma como o trabalho de Vhils articula arte, memória e política, propondo uma leitura crítica das cidades contemporâneas e das suas transformações.
Uma vez mais, ao reunir projeção e debate, o ciclo de conferências Great Artists on Campus #1 reforçou o seu papel como plataforma de partilha e reflexão, aproximando artistas, estudantes e público em torno das práticas e questões que atravessam a criação contemporânea.
Consulte as Fotografias do Evento no Facebook da ULusófona
Texto
Gabriel Motta
Cobertura
Gabriel Motta
Lara Sousa
Paulo Renato
Edição de Vídeo
Gabriel Motta
Edição de Fotografia
Paulo Renato
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