Debate na ULusófona expõe riscos da desinformação
Investigadores, jornalistas e voz política examinaram como a desinformação alimenta o populismo e afeta a participação pública
Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS)
No dia 26 de novembro realizou-se a conferência “Power to the Fake? Os Média e a Ascensão dos Populismos em Portugal”, organizada no âmbito do Doutoramento em Comunicação e Ativismos. O encontro teve como objetivo promover uma reflexão crítica sobre os efeitos da desinformação na esfera pública e a sua relação com a ascensão dos discursos populistas em Portugal, reunindo investigadores, jornalistas e figuras políticas num espaço de debate interdisciplinar.
O Professor João Pedro Baptista abriu discussão com uma análise ao fenómeno das fake news e da desinformação online, destacando o papel dos algoritmos na amplificação de conteúdos que geram maior reação emocional, explicando que vivemos num novo ecossistema digital em que a atenção é disputada em ciclos cada vez mais curtos. Seguiu-se a intervenção do Professor Branco Di Fátima, que abordou a dimensão social da desinformação e os padrões de comportamento observados nas legislativas de 2025 nas redes sociais, sublinhando como o discurso de ódio e as dinâmicas de hostilidade digital se articulam com a circulação de conteúdos manipulados.
A Diretora Executiva do Polígrafo, Salomé Leal, trouxe ao debate a perspetiva prática da verificação de factos afirmando que “a desinformação é um negócio” e que os media enfrentam dificuldades em competir com conteúdos falsos que rapidamente se tornam virais, questionando ainda a eficácia das estratégias de combate. A ex-Eurodeputada, Isabel Santos, refletiu sobre os impactos da desinformação na ação política e na vida democrática, lembrando que muitas vezes as teorias da conspiração têm mais apelo do que a informação rigorosa e alertando para a dimensão transnacional do fenómeno, que não pode ser travado por um só país.
A conferência organizada pelos estudantes do 2.º ano, com o apoio da Direção do 3º Ciclo em questão, constituída pelas docentes Carla Cerqueira e Célia Taborda, pretendeu aproximar diferentes áreas do conhecimento, articulando investigação académica, prática jornalística e experiência política.
O impacto esperado passa pela consolidação de conhecimento interdisciplinar e pelo estímulo a novas investigações, mas também por uma maior consciência social dos riscos associados à circulação de informação manipulada.
A mensagem final foi clara - a desinformação constitui um desafio estrutural à qualidade da democracia e só através da cooperação entre academia, comunicação social e esfera política será possível construir respostas eficazes e sustentadas perante fenómenos que moldam a opinião pública e afetam o funcionamento das instituições democráticas.
Consulte as Fotografias do Evento no Facebook da ULusófona
Texto
Bruna Pereira
Fotografia
Bruna Pereira
Edição
Lara Sousa





