Da inspiração ao financiamento, Nuno Bernardo explica o longo percurso criativo e coletivo por detrás de um filme em Portugal
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Criar um filme é um processo demorado, complexo e profundamente coletivo. Para o cineasta e escritor Nuno Bernardo, a origem de uma obra cinematográfica raramente surge de uma única ideia. Pelo contrário, nasce da acumulação de pequenos pensamentos, imagens, notas soltas e situações do quotidiano que vão sendo guardados ao longo do tempo, até ganharem forma.
É nesse “baú das ideias” que começam muitos dos seus projetos. Algumas ideias perdem-se, outras permanecem e acabam por se juntar, dando origem ao “esqueleto de uma história”.
Foi desse modo que nasceu A Pianista , a sua mais recente longa-metragem. O filme resulta da junção de duas ideias distintas: levar um piano a um lugar sem música e a possibilidade de trazer de volta alguém que nos é próximo e que já faleceu. Estas duas ideias acabaram por se fundir numa só narrativa - a história de uma ex-pianista que, ao lidar com a morte do marido, encontra na música uma forma de enfrentar o luto.
Depois da ideia vem a escrita do guião e a fase mais incerta do processo: a procura de financiamento. Em Portugal, explica Nuno Bernardo, muitos projetos ficam pelo caminho por falta de apoios. Quando um filme é aprovado, inicia-se um longo período de pré-produção que pode durar mais de um ano e meio, onde se melhoram os guiões, se escolhe o elenco, se definem locais de rodagem e se prepara toda a logística necessária. Seguem-se as filmagens e, posteriormente, a pós-produção, que por sua vez, envolve meses de edição e montagem até que o filme esteja pronto para ser apresentado a distribuidores e, finalmente, ao público. No total, entre a ideia inicial e a estreia nas salas de cinema, o processo pode demorar cerca de quatro anos.
As limitações orçamentais do cinema português são uma realidade constante. O financiamento raramente ultrapassa um milhão de euros sem apoios internacionais, o que obriga desde logo os criadores a limitar as suas ambições criativas.
Apesar disso, o docente da Licenciatura em Comunicação Audiovisual e Multimédia, da ULusófona - Centro Universitário Porto, defende que o cinema é, acima de tudo, um trabalho de equipa. A colaboração entre realizador, diretor de fotografia, atores e técnicos é essencial para o resultado final.
Na opinião de Nuno Bernardo, a Universidade desempenha um papel fundamental na preparação dos futuros profissionais para o trabalho em equipa, uma exigência central do cinema, onde será necessário trabalhar com dezenas de pessoas, gerir conflitos e colaborar de forma eficaz.
Com a combinação de experiência prática e reflexão académica, o cineasta deixou claro que o futuro do cinema depende da persistência, da experimentação e da coragem de uma nova geração de contar as suas histórias e que criar um filme é um processo feito de tempo e de colaboração.
Créditos
Produção
Catarina Machado
Susana A. Oliveira
Reportagem
Bruna Pereira
Catarina Machado
Imagem
Catarina Machado
Gabriel Motta
Lara Sousa
Paulo Renato
Edição
Paulo Renato
Texto
Bruna Pereira





