Ciclo de Conferências promove reflexão sobre as expressões da Arte Contemporânea
Quatro sessões reuniram artistas, docentes e estudantes para discutir processos criativos, tecnologias emergentes e leitura de territórios na arte
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O Ciclo de Conferências em Arte Contemporânea contou com quatro conferências dedicadas ao diálogo entre artistas, investigadores e comunidade. Estas decorreram nos dias 21 e 28 de outubro e 4 e 18 de novembro,
A iniciativa procurou promover o diálogo em torno da arte contemporânea e a reflexão sobre práticas artísticas atuais e a forma como estas atravessam diferentes meios e territórios.
Cada conferência contou com a participação de artistas convidados, apresentando o seu percurso, processos e obras significativas. A curadoria esteve a cargo dos Docentes Carla Castiajo, Manuel Santos Maia e Susana Chiocca e a organização foi assegurada pelos estudantes da Licenciatura em Comunicação Audiovisual e Multimédia , pelos estudantes da Licenciatura em Ciências da Comunicação e pelos da Licenciatura em Design de Comunicação.
A primeira sessão foi dedicada a Tiago Madaleno, artista formado em Artes Plásticas na Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto (FBAUP) e vencedor do prémio Novo Banco Revelação em 2017. Na sua intervenção, o artista explicou como na sua prática desenvolve a metamorfose das imagens e a relação do corpo com o espaço.
Madaleno apresentou projetos como a máquina que produz luz a partir do gesto de caminhar e “O som que chega tarde a uma imagem” - série de cartazes criados com película e fita magnética, inspirados no universo do cinema. Partilhou, ainda, obras como Um jardim à noite (2020), uma instalação que parte da memória de um jardim destruído na infância de um interlocutor, e trabalhos realizados para o espaço público, incluindo a intervenção na muralha da Cadeia de Custóias.
A segunda sessão deu a palavra a João Brojo e a Felícia Teixeira, que apresentaram dois projetos desenvolvidos em colaboração - “Mota Galiza Family” e “Só Fotocópias, Nem um Café”, ambos ancorados em processos de investigação artística, memória urbana e apropriação crítica. O Segundo o projeto “Só Fotocópias, Nem um Café” resultou de uma investigação sobre o realizador José da Montanha e sobre o decadente shopping João do Deus, usando como metáfora a obsolescência, perda e precariedade humana. Com imagens no shopping e numa casa antiga, e uma publicação em formato fragmentado, o trabalho reflete sobre a demolição de espaços e a erosão da vida coletiva.
Os artistas discutiram as suas abordagens conceptuais - o chroma key como metáfora de plasticidade e projeção infinita de significados, a exposição entendida como residência artística contínua e os códigos náuticos de Aveiro como linguagem visual sobre comunicação pública e individual. Concluíram defendendo a arte como amplificação da realidade e criação de novas condições de leitura do território.
A terceira sessão contou com a presença de Svenja Tiger, artista nascida em Berlim e formada em Design de Figurino pela Escola Superior de Música e Artes do Espetáculo (ESMAE). A artista explicou como o seu trabalho se desenvolve na intersecção entre realidade e ficção, ecologia, zoologia, morte e metamorfose, destacando a dimensão espiritual que acompanha o seu processo criativo. Entre as obras apresentadas estiveram, Arrival of the Unicorns - um estudo de colagens e transparências sobre transformação animal -, e Lucid Dreams of a Static Beast - uma série fotográfica criada após a morte do pai. Svenja Tiger destacou, também, o uso de materiais reutilizados e a importância de rituais pessoais para se integrar nos lugares onde trabalha.
A última conferência foi protagonizada por José Almeida Pereira, formado pela FBAUP, que explicou como trabalha a partir de imagens de outros pintores, explorando a relação entre o original, cópia e reprodução. O artista apresentou projetos que abordam a ideia da Europa, recorrendo à metáfora da travessia, da memória e da passagem histórica. Destacou, também, a importância do cinema na construção de novas formas de olhar para a imagem, descrevendo como a desfocagem e a abstração surgem na sua obra como formas de renovar a perceção. Ao longo da sessão refletiu, ainda, sobre a necessidade de enfrentar as imagens contemporâneas e compreender a sua presença persistente no quotidiano.
O Ciclo de Conferências em Arte Contemporânea terminou a 18 de novembro, após quatro sessões que permitiram ao público conhecer práticas distintas e modos de pensar a arte contemporânea a partir de diferentes perspetivas. A iniciativa reforçou o papel do diálogo entre artistas e comunidade académica na compreensão das transformações que atravessam o panorama artístico atual.
Texto
Bruna Pereira
Imagem
Paulo Renato
Fotografia (Edição)
Paulo Renato e Gabriel Motta
Vídeo (Edição)
Lara Sousa
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