Inteligência Emocional e os Eleitores: Uma investigação de Mestrado na ULusófona
O trabalho desenvolvido pela mestranda da Escola de Ciências Económicas e das Organizações foi apresentado na Universidade de Salamanca
Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS)
No âmbito das XXXV Jornadas Luso-Espanholas de Gestão Científica realizadas de 21 a 24 de janeiro de 2026, Cristina Sousa, estudante de Mestrado da ECEO - Escola de Ciências Económicas e das Organizações da Universidade Lusófona - Centro Universitário Lisboa, apresentou, na University of Salamanca, parte do seu trabalho de dissertação de mestrado.
O seu estudo destaca um aspeto central para a compreensão do comportamento eleitoral na Região Autónoma da Madeira: a Inteligência Emocional (IE) emerge como um fator mediador relevante entre variáveis económicas e sociais e a intenção de voto.
Os resultados indicam que fatores como a perceção do impacto do voto, a representação económica e o contexto social influenciam diretamente a intenção de voto.
No entanto, esta relação não é meramente mecânica nem puramente racional no sentido clássico. A Inteligência Emocional funciona como um mecanismo intermédio, mediando a forma como os eleitores interpretam, experienciam e reagem a esses fatores. Embora os efeitos apresentem uma magnitude estatística moderada, enquadram-se plenamente nos valores habitualmente observados na investigação em ciência política (R² = 0.38).
A consideração exclusiva de indicadores objetivos — como rendimento, emprego ou políticas públicas — revela-se, assim, insuficiente para uma compreensão plena do comportamento eleitoral. A forma como os eleitores regulam as suas emoções, avaliam ameaças, gerem o medo ou a esperança e interpretam o discurso político desempenha um papel determinante na decisão final de voto.
Esta questão assume particular relevância no atual contexto político português, em que alguns atores políticos procuram condicionar as decisões eleitorais através de narrativas fortemente emocionalizadas, frequentemente assentes em ameaças de caos, colapso institucional ou na utilização de rótulos como “fascismo” dirigidos aos adversários. Estas estratégias apelam menos à avaliação racional de propostas e mais à ativação emocional, explorando medos, inseguranças e dinâmicas identitárias.
Neste contexto, torna-se evidente a necessidade de aprofundar os estudos empíricos sobre a racionalidade do voto, integrando dimensões económicas, cognitivas, emocionais e sociais. Estamos a investigar o papel mediador da Inteligência Emocional para compreender melhor até que ponto os eleitores conseguem filtrar discursos alarmistas, avaliar criticamente a informação e tomar decisões políticas autónomas.
O nosso objetivo é contribuir para o debate científico e cívico, demonstrando que defender a qualidade da democracia implica também compreender e fortalecer as competências emocionais dos cidadãos, sobretudo em contextos onde as escolhas eleitorais são cada vez mais disputadas no plano emocional.
Parabéns, Cristina, por um excelente trabalho e por uma apresentação de grande qualidade!





