Resultados do MedMSE mostram impacto positivo da mediação nas escolas
Conferência reuniu a comunidade educativa para apresentar resultados do MedMSE e refletir sobre inclusão, diálogo e gestão de conflitos nas escolas
Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS)
No dia 12 de dezembro, realizou-se na Universidade Lusófona – Centro Universitário Porto, um encontro que teve como objetivo a apresentação dos resultados do projeto “Mediação para a Melhoria Socioeducativa Escolar (MedMSE)”, este apoiado pelo Município do Porto e que abrangeu três agrupamentos escolares ao longo de um ano. Para além da apresentação dos resultados, a conferência teve, também, como objetivo a reflexão sobre os desafios atuais e futuros da mediação escolar na promoção de uma cultura de convivência pacífica.
A sessão de abertura contou com representantes da Câmara Municipal do Porto, da Pró-Reitoria para a Formação ao Longo da Vida e Inovação Pedagógica da ULusófona na pessoa da professora Elisabete Pinto da Costa e com representantes das direções dos Agrupamentos das Escolas parceiras do projeto, nomeadamente Alexandre Herculano, António Nobre e Cerco do Porto. Este momento enquadrou o MedMSE enquanto iniciativa de intervenção socioeducativa desenvolvida em contexto escolar, assente na mediação como estratégia de promoção da convivência, da inclusão e da participação.
O primeiro painel, intitulado “Mediação Escolar e Cultura de Paz: desafios e caminhos para o futuro”, foi dedicado à discussão conceitual e pedagógica da mediação em meio escolar. Juan Carlos Torrego, da Universidade de Alcalá, apresentou o enquadramento da mediação escolar no contexto espanhol, partilhando experiências de investigação e avaliação de projetos desenvolvidos a nível nacional e europeu. Posteriormente, a Coordenadora Científico – Pedagógica do Projeto, Elisabete Pinto da Costa, desenvolveu uma reflexão sobre a articulação entre convivência escolar, educação e mediação, defendendo que “a cultura de paz nas escolas não pressupõe a ausência de conflito, mas antes a capacidade de o compreender, gerir e transformar de forma socialmente justa e pedagogicamente responsável”. A mediação foi apresentada como um dispositivo educativo que traduz valores como o diálogo, a justiça social e a responsabilidade partilhada em práticas concretas do quotidiano escolar.
O segundo painel foi dedicado à dimensão prática do projeto, onde foram, de facto, apresentados os resultados do Projeto MedMSE, com a partilha de boas práticas e impactos locais nos agrupamentos envolvidos. Ana Costa e Heloisa Botelho - do Agrupamento de Escolas Alexandre Herculano -, Marisa Cunha e Olívia Teixeira - do Agrupamento de Escolas António Nobre - e Joana Gomes e Susana Martins - do Agrupamento de Escolas do Cerco do Porto -, deram a conhecer as experiências desenvolvidas, evidenciando o contributo da mediação para a gestão de conflitos, a melhoria do clima escolar e o reforço das relações entre os diferentes atores da comunidade educativa.
A conferência integrou, ainda, a Mesa Redonda “Vozes da Mudança na Escola”, que reuniu testemunhos de professores, pessoal não docente e alunos, proporcionando um espaço de diálogo sobre os efeitos da mediação no quotidiano escolar.
É de realçar que houve, também, uma mostra de materiais científicos e pedagógicos produzidos no âmbito da mediação escolar, promovendo a partilha de experiências e o networking entre os participantes.
O encerramento da conferência assinalou a conclusão de um projeto que procurou afirmar a mediação escolar como uma ferramenta estruturante para a construção de comunidades educativas mais inclusivas, participativas e orientadas para uma convivência cidadã e pacífica. Os resultados evidenciaram, segundo Elisabete Pinto da Costa, que a mediação é, de facto, “uma metodologia de mudança e de melhoria social”.
Texto
Bruna Pereira
Vídeo
Gabriel Motta





